SP reúne especialistas no II Seminário de Segurança Alimentar
A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) promoveu um encontro crucial para a política pública estadual: o II Seminário Estadual de Segurança Alimentar. Realizado nesta quarta-feira (19), no Sesc Pinheiros, o evento não apenas reuniu a nata de pesquisadores, gestores públicos e organizações da sociedade civil, mas também consolidou a urgência […]
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 19/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo (SEDS) promoveu um encontro crucial para a política pública estadual: o II Seminário Estadual de Segurança Alimentar. Realizado nesta quarta-feira (19), no Sesc Pinheiros, o evento não apenas reuniu a nata de pesquisadores, gestores públicos e organizações da sociedade civil, mas também consolidou a urgência de uma resposta coordenada e multifacetada ao problema da fome e da má nutrição no país.
A abertura oficial contou com presenças importantes, como a secretária de Desenvolvimento Social, Andrezza Rosalém, a gerente de Alimentação e Segurança Alimentar do Sesc São Paulo, Mariana Ruocco, além de representantes de entidades vitais como o Pacto Contra a Fome e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento. O tom da jornada foi dado pela Diretoria de Combate à Fome, que estruturou o seminário em cinco painéis temáticos essenciais, detalhando desde o panorama nacional da insegurança alimentar até as estratégias implementadas no estado.
Mapeando a complexidade da Insegurança Alimentar e Nutricional
O painel inaugural, intitulado “Mapa da Fome”, trouxe à luz os dados mais recentes, analisados pelas pesquisadoras Semíramis Domene (Unifesp/USP) e Maria Rita Marques de Oliveira (Unesp/Interssan). Elas destacaram que a fome é um desafio que transcende a ausência de comida no prato, envolvendo fatores estruturais como renda, acesso a equipamentos públicos e, criticamente, a qualidade da alimentação consumida.
“Nós temos uma responsabilidade enquanto país e somos uma potência na América Latina. Precisamos trazer respostas importantes e consistentes para essa questão da fome e de outra situação que vem crescendo no país e está em uma outra ponta, que é a obesidade,” alertou a professora Semíramis Domene.
A dupla ressaltou a importância da parceria entre o Governo do Estado e as universidades, cujos estudos sobre a insegurança alimentar se aprofundam há décadas. A análise aponta para a necessidade urgente de atuação em duas frentes: a erradicação da fome extrema e o combate à obesidade, que cresce paralelamente em muitas regiões.
A Governança e o Papel Ativo da Sociedade Civil
O debate se aprofundou na importância da governança e da intersetorialidade, reunindo vozes do Pacto Contra a Fome, da Estratégia Alimenta Cidades e do Comusan-SP. A discussão girou em torno da construção de políticas alimentares duradouras, que exigem a participação da sociedade civil para serem eficazes.
Foram detalhadas iniciativas que promovem soluções permanentes e sustentáveis, como a agricultura urbana, o funcionamento de cozinhas solidárias e a criação de circuitos locais de abastecimento. A integração de políticas de assistência social e a inovação em modelos de gestão pública foram citadas como pilares para movimentar economias solidárias e, sobretudo, evitar o desperdício de alimentos.
O motor dos Programas Estaduais: Vivaleite e Bom Prato
O período da tarde foi dedicado à apresentação de avanços concretos nas ações estaduais de Segurança Alimentar. O terceiro painel detalhou a atuação do Programa Mesa Brasil, do Sesc, referência no combate à fome e ao desperdício, com foco na educação alimentar.
Já o quarto painel, com gestores da SEDS, exibiu o desempenho notável dos programas Bom Prato e Vivaleite, verdadeiros alicerces da estratégia paulista:
- Vivaleite: Distribui mensalmente 4,2 milhões de litros de leite, beneficiando 280 mil pessoas em 643 municípios.
- Bom Prato: Serve diariamente 145 mil refeições, com almoço e jantar a R$ 1,00 e café da manhã a R$ 0,50, em 124 unidades em funcionamento.
Rita Dalmaso, diretora de Combate à Fome, enfatizou que o enfrentamento à fome deve ser complementado por políticas públicas de longo prazo. Em consonância, o coordenador do Programa SuperAção SP, Marcelo Salera Ricci, destacou a atuação intersetorial da iniciativa para promover a inclusão produtiva, que visa “retirar barreiras das famílias e, de fato, estabelecer a autonomia na vida delas.”
Pobreza e a falta de focalização na transferência de Renda
O último painel sobre Segurança Alimentar trouxe o rigor técnico dos especialistas do Insper, o economista Ricardo Paes de Barros e a pesquisadora Laura Muller Machado. O debate se concentrou na necessidade de políticas integradas — que abrangem proteção social, transferência de renda, emprego, educação e saúde — como ferramentas essenciais para romper o ciclo de vulnerabilidade.
Paes de Barros levantou um ponto crucial sobre a distribuição: apesar de o Brasil ter uma renda per capita (R$ 2.378/IBGE) teoricamente suficiente para alimentar toda a sua população, “Um dos grandes problemas é que a distribuição e a transferência de renda não são focalizadas. O dinheiro precisa chegar nas mãos certas”, sublinhou o economista. Laura Muller Machado complementou a necessidade de uma “busca ativa das pessoas” que mais precisam de alimentos, lamentando, ainda, a queda no consumo de arroz e feijão e o aumento de produtos processados.
Em seu fechamento, a secretária Andrezza Rosalém reforçou o compromisso do Estado com uma agenda baseada em evidências para garantir a Segurança Alimentar e Nutricional. Ela destacou que o sucesso dos programas como o Vivaleite e Bom Prato reside em sua logística, monitoramento e controle. “Ao levarmos a alimentação para o prato das pessoas, entregamos não só Segurança Alimentar e nutricional, mas também dignidade. É disso que precisamos: de boas políticas públicas”, concluiu.