São Paulo vai ampliar tratamento de esgoto em 148% com tecnologia

Investimento de R$ 1 bilhão na ETE Parque Novo Mundo amplia capacidade operacional em 148% sem necessidade de expandir a área física.

Crédito: Divulgação/Governo de SP.

O tratamento de esgoto em São Paulo passará por uma expansão histórica com a modernização da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Parque Novo Mundo, na zona norte da capital. O Governo de São Paulo e a Sabesp anunciaram a implementação de maquinários inéditos que aumentarão o processamento da unidade em 148%. O volume tratado saltará de 2,5 milhões para 6,2 milhões de litros por segundo. A obra beneficia diretamente 2,9 milhões de moradores paulistanos e do município de Guarulhos.

A intervenção na ETE recebe um aporte financeiro de R$ 1 bilhão e integra o Programa IntegraTietê, iniciativa voltada à despoluição do principal rio paulista. A previsão das autoridades é concluir as obras no primeiro semestre de 2027. O projeto resolve um desafio logístico crítico da região mais adensada da metrópole, pois permite escalar a operação sem aumentar o perímetro atual de 190 mil metros quadrados.

Inovações europeias no tratamento de esgoto em São Paulo

Para atingir os índices de universalização, o sistema de tratamento de esgoto em São Paulo importou duas soluções estruturais de alta eficiência. A primeira etapa do processo conta agora com 76 toneladas de equipamentos de origem alemã focadas no pré-tratamento mecânico. A tecnologia otimiza a remoção de sólidos grosseiros, como plásticos e fibras, e separa os resíduos minerais antes do ciclo biológico.

A estabilidade desse sistema inicial evita entupimentos e reduz o desgaste abrasivo das bombas ao longo de toda a rede física da estação. “O resultado é uma operação mais estável, com menor necessidade de manutenção e maior proteção das etapas seguintes do tratamento”, afirmou Guilherme Paixão, diretor de Empreendimentos de Esgoto da Região Metropolitana de São Paulo.

A segunda inovação aplicada na unidade paulistana é o uso do lodo granular aeróbio, desenvolvido pela Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda. Conhecida no mercado como Nereda, a tecnologia substitui o lodo ativado convencional por grânulos biológicos densos. Esses microrganismos degradam a matéria orgânica e removem componentes químicos como amônia e fósforo com alta velocidade de sedimentação.

A compactação natural dos grânulos dispensa a construção de decantadores secundários, exigência comum nos complexos tradicionais de saneamento. A adoção dessa metodologia otimiza o tratamento de esgoto em São Paulo, pois reduz o consumo energético da planta e diminui significativamente o volume de resíduos finais gerados pela operação diária.

Investimentos da Sabesp e metas de universalização

A capitalização da Sabesp, concretizada em 2024, acelerou a injeção de capital no setor de infraestrutura hídrica. A companhia aplicou R$ 15,2 bilhões ao longo de 2025, volume 120% superior ao registrado no ano anterior. Os recursos garantiram a expansão das redes de captação e processamento para mais 4,3 milhões de habitantes no estado.

O avanço físico e estrutural das obras é monitorado pelo programa Na Rota da Água, que vistoria mais de 1.100 frentes de trabalho ativas. Dados apurados ao fim do primeiro trimestre de 2026 apontam que os índices de acesso à água potável, coleta e processamento de efluentes atingiram 87%, 77% e 71%, respectivamente.

A modernização das redes lineares abrange a instalação de novas tubulações e estações de bombeamento espalhadas por toda a região metropolitana. A reestruturação tecnológica da ETE Parque Novo Mundo lidera as entregas programadas até 2029, consolidando o avanço definitivo do tratamento de esgoto em São Paulo rumo à universalização dos serviços básicos.

  • Publicado: 11/06/2026 15:32
  • Alterado: 11/06/2026 15:32
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Agência SP