Soninho App nasce no ABC com foco no sono de bebês e crianças
Plataforma digital reúne metodologia Soninho no Ninho, conteúdo técnico, inteligência artificial e planos personalizados para famílias
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 30/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O aplicativo Soninho foi lançado oficialmente durante evento realizado no Parque Tecnológico, reunindo profissionais das áreas de saúde, tecnologia e famílias interessadas em soluções voltadas ao sono infantil. A plataforma surge a partir da metodologia Soninho no Ninho e propõe concentrar, em um único ambiente digital, informações técnicas, ferramentas práticas e apoio contínuo para pais, mães e cuidadores.
Durante a cerimônia, o subsecretário de Inovação e Tecnologia de São Caetano, Alan de Camargo, destacou o papel do Parque Tecnológico no estímulo ao empreendedorismo e à inovação.
“A gente nasceu com esse propósito de ajudar empreendedores que têm ideias e que enfrentar o mercado é tão complexo”, afirmou.
Segundo ele, o Soninho é a terceira startup fundada dentro do espaço. “É a terceira startup fundada, que nasceu aqui no Parque Tecnológico, e o lançamento aconteceu aqui”, disse.
Camargo ressaltou que o apoio institucional vai além da infraestrutura física. “Aqui a gente recebe startups em diversos níveis de maturidade, desde aquelas que ainda são um sonho até as que já estão faturando”, explicou. Para ele, o objetivo é criar conexões. “Gerar conexões entre esses empreendedores, conectar com o mercado e com investidores”, afirmou.
Sono infantil como elemento central da infância saudável

A importância do sono infantil foi um dos temas centrais do encontro. A pediatra e especialista em desenvolvimento infantil Lívia Gennari destacou que o sono não deve ser tratado como um detalhe da rotina. “O sono não é somente uma parte da rotina, ele é construção”, afirmou.
Segundo a médica, há evidências científicas que comprovam o impacto direto do sono no desenvolvimento físico e neurológico das crianças.
“Durante o sono, tantos hormônios são liberados, tantas reformulações cerebrais acontecem, que o sono passa a ser um dos principais elementos para uma infância saudável”, disse.
Lívia alertou ainda para o que classificou como uma epidemia de privação de sono na infância. “Por questões como telas exacerbadas, falta de rotina e uma visão do sono como perda de tempo, a gente vê crianças dormindo menos do que o recomendado”, afirmou. De acordo com ela, os efeitos aparecem em diferentes áreas da saúde. “Crianças privadas de sono têm dificuldade de ganho de peso ou obesidade, ficam mais doentes e apresentam prejuízos na aprendizagem”, explicou.
No aspecto cognitivo, a pediatra ressaltou que o descanso é essencial para consolidar o aprendizado. “Tudo aquilo que a criança aprendeu durante o dia não vira conhecimento se ela não teve tempo suficiente de sono”, disse.
Relatos familiares e impacto emocional da privação de sono

A assistente social Natália Fabrin trouxe ao debate a vivência prática da privação de sono no início da maternidade. Segundo ela, o discurso social em torno do nascimento de um filho muitas vezes normaliza o cansaço extremo. “Todas as mães de primeira viagem ouvem aquela frase: aproveita para dormir, porque quando o seu filho chegar você não vai dormir”, afirmou.
Natália relatou que, após o nascimento da filha, enfrentou dificuldades graves de amamentação e noites mal dormidas. “Ela dormia muito mal, e isso me fez muitas vezes pensar que eu não estava feliz com a minha maternidade”, disse. Segundo ela, o cansaço afeta a percepção emocional. “Você começa a ver a vida através das lentes da privação de sono”, afirmou.
A assistente social destacou que a privação não atinge apenas a mãe, mas toda a dinâmica familiar. “Você não está triste, você está cansado. Seu marido não é o seu inimigo, vocês estão com sono”, disse. Para ela, a falta de descanso interfere até nas relações conjugais. “Muitos casamentos acabam no primeiro ano, e isso também se deve à privação do sono”, afirmou.
Após buscar orientação e reorganizar a rotina da filha, Natália observou mudanças significativas.
“Quando a minha filha começou a dormir a noite inteira, ela cresceu dois centímetros no mês”, relatou.
Segundo ela, o descanso permitiu uma melhora geral na convivência familiar. “A nossa vivência em casa melhorou muito”, disse.
Hoje atuando como consultora de sono, Natália defende abordagens responsáveis. “Não tem um problema de sono que não pode ser resolvido. Existem estratégias, inclusive para crianças atípicas”, afirmou.
Funcionalidades do aplicativo e metodologia aplicada

A apresentação técnica do Soninho foi feita por Leandro Rohrbacher, responsável pela área de tecnologia da startup. Segundo ele, o aplicativo está disponível para Android e iOS, com versões gratuita e premium. “Algumas funcionalidades estão disponíveis no plano free e a totalidade das funcionalidades estão no plano premium”, explicou.
Entre os recursos apresentados estão conteúdos em texto, áudio e vídeo, calculadora de sono, cadastro de irmãos e planos personalizados. “O plano de sono personalizado é a ferramenta principal do nosso aplicativo”, afirmou Rohrbacher. Ele explicou que o funcionamento se baseia em um questionário preenchido pela família.
“De acordo com as respostas, o aplicativo sugere o melhor plano de sono para aquela realidade”, disse.
A calculadora de sono indica horários de sonecas conforme a idade da criança e o horário de despertar. “O pai ou a mãe coloca o horário que a criança acordou e o aplicativo mostra quando devem ser as sonecas e quanto tempo precisam durar”, explicou.
Inteligência artificial e apoio contínuo às famílias

Outro recurso apresentado foi a inteligência artificial integrada à plataforma, chamada Aline IA. Segundo Rohrbacher, a ferramenta foi desenvolvida a partir de uma integração com a OpenAI, mas alimentada exclusivamente com o conteúdo da metodologia Soninho. “Essa inteligência artificial pesquisa todo o acervo da Soninho para dar a melhor resposta”, afirmou.
Ele explicou que a IA foi pensada para apoiar mães e pais em situações pontuais, especialmente em momentos de cansaço extremo. “A mãe não precisa assistir a aula inteira de novo. Ela pergunta e já recebe a orientação adequada”, disse.
O aplicativo também conta com uma comunidade interna, voltada à troca de experiências entre mães.
“A maternidade pode ser solitária, e a comunidade ajuda a criar uma rede de apoio”, afirmou.
Desenvolvimento da startup e próximos passos

Rohrbacher também detalhou o processo de desenvolvimento do aplicativo dentro do ecossistema do Parque Tecnológico. “A gente se inscreveu no programa de startups e começou a receber mentorias”, afirmou. Segundo ele, o projeto contou com apoio do Sebrae e de instituições parceiras. “Todo o capital investido até agora é próprio”, disse.
O lançamento ocorreu em formato de MVP, versão mínima viável do produto. “É uma versão 1.0, onde a gente coleta feedback para melhorar a usabilidade e evoluir a plataforma”, explicou. Entre as funcionalidades previstas para as próximas versões está um marketplace de profissionais da área materno-infantil.
Para Alan de Camargo, o lançamento reforça o papel do poder público no fomento à inovação. “É uma construção. A gente vai sempre buscar acompanhar vocês nessa jornada”, afirmou.