Sonhos de infância que o tempo não conseguiu apagar
Entre desafios e recomeços, três vidas mostram que o tempo pode amadurecer os sonhos, mas jamais apagá-los
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 16/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Desde a infância, a pergunta “o que você quer ser quando crescer?” nos convida a sonhar alto. Antigamente, os meninos frequentemente sonhavam em ser jogadores de futebol ou astronautas, enquanto as meninas se imaginavam como professoras ou médicas. Hoje, se fizermos essa mesma pergunta a uma criança, a resposta mais provável é: influenciadora digital ou YouTuber. No entanto, é no decorrer da vida adulta que muitos desses primeiros sonhos são deixados para trás… mas esse não é o caso de Raiane, Jean e Ana Paula.
O sonho da professora
A Raiane do Nascimento, de 27 anos, moradora de Americana (SP), sempre soube o que queria.
“Quando eu era pequena, amava brincar de escolinha com minhas bonecas e sempre dizia que queria ser professora”, revela, Raiane.

Hoje, ela celebra a conquista da formação em Pedagogia. O caminho, segundo ela, foi trilhado com muito estudo e persistência. Mesmo sendo uma pessoa naturalmente tímida, ela nunca permitiu que isso fosse um obstáculo. “A timidez foi um desafio, mas aprendi que quando a gente ama o que faz, encontra coragem no meio do caminho.”, diz a professora.
Raiane se sente grata pela sua escolha e, incentivada pela mãe que sempre acreditou nela, dá um conselho inspirador: “Não desista dos seus sonhos e não se deixe levar pelas opiniões dos outros. Cada um sabe o que faz o coração pulsar. A vida é fluida, e tudo bem mudar de caminho se for preciso, o importante é continuar seguindo o que faz sentido pra você.”
Resiliência transforma obstáculos em experiências de vida
O sonho de infância de Jean Santiago Silvério, de 27 anos, morador de São Caetano do Sul (ABC), era grandioso: poder conhecer o mundo, ser uma pessoa rica e ter a família sempre por perto. Como profissão, ele se via como um doutor, advogado, médico, ou alguém que tinha um cargo de muita responsabilidade e importância.

Jean admite não ter realizado todos esses sonhos iniciais, mas está construindo um novo sentido para o sucesso. Embora o trabalho precoce e a falta de acesso à educação tenham sido obstáculos de seu estrato social, ele ressignificou sua trajetória. Não se tornou doutor, mas está em processo de formação em psicologia, onde a responsabilidade e a importância ainda se fazem presentes.
“Não realizei todos os meus sonhos, mas ainda permaneço com a família ao meu lado. Não conheço o mundo, mas tive oportunidades de viagens que foram muito importantes, pude conhecer muitas pessoas, lugares e histórias. Não me tornei um doutor, mas estou em um processo de me formar em psicologia daqui um ano, no qual a responsabilidade e a importância ainda se fazem presentes, e que tem sido muito gratificante poder realizar este passo tão importante na minha vida, em consideração à minha história e à da minha família”, relata o estudante de psicologia.
Os obstáculos o fizeram amadurecer. Hoje, ele não enxerga essas dificuldades como problemas, mas sim como uma “parte essencial na minha constituição de experiências.”

Jean não carrega arrependimentos. Ele acredita que as escolhas o ajudaram a formar seus valores e a sua capacidade de enxergar o mundo. Seu conselho é focado no crescimento contínuo: “Foque em seus desejos, enxergue as suas necessidades e busque sempre conhecimento para além daquilo que você acredita. Nós, como seres humanos, estamos em constante processo de transformação, então não se limite, enxergue suas potencialidades e siga em frente naquilo que você acredita.”
A fé inabalável que constrói novos caminhos
Aos 52 anos, a moradora de Ribeirão Pires (ABC), Ana Paula Santos viu muitos de seus sonhos de infância, ser professora, aeromoça, cozinheira, serem adiados. O principal obstáculo foi a necessidade urgente de trabalhar para colocar comida na mesa.
No entanto, ela nunca perdeu a fé e a coragem. Mesmo sem ter concluído os estudos, ela se esforçou e realizou diversos sonhos. Por meio de seu esforço, ela realizou o sonho de trabalhar em uma fábrica. Depois, buscou trabalhar em um restaurante, área em que sempre gostou.
“Toda vez que ia procurar emprego em restaurantes, era recusa pela minha falta de estudos,” lembra. Mas sua perseverança valeu a pena: “até que um restaurante me deu a oportunidade, então realizei mais um sonho.” Hoje, ela vive o que chama de “o melhor sonho da minha vida”: trabalha por conta própria, vendendo bolos, massas e doces, e segue sonhando. Apesar do arrependimento de não ter estudado, ela ama que, mesmo na sua idade, não deixa de acreditar e correr atrás. O conselho de Ana Paula é uma dose de pura motivação e autoaceitação:

“Tenham fé, acreditem em vocês. Vão ter muitas pessoas para te desanimar, até hoje muita gente duvida de mim, da minha capacidade, mas nem eu e nem vocês têm que se importar com isso, porque nós podemos tudo, e merecemos o melhor, merecemos realizar nossos sonhos e sermos felizes, da nossa maneira.”
Ao olhar para as trajetórias de Raiane, Jean e Ana Paula, fica nítido que os sonhos de infância não são apenas lembranças, são sementes que, mesmo adormecidas, continuam a brotar quando encontram um solo fértil. Eles amadurecem, mudam de forma, às vezes se reinventam, mas seguem sendo o impulso que move cada escolha e cada recomeço.