Soldado da PM é detido após desrespeito a capitão em hospital de SP
Soldado teria se referido ao capitão como "você"
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 20/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Na última quarta-feira (18), um soldado da Polícia Militar foi detido sob a acusação de desrespeitar um capitão durante uma consulta médica no Hospital da Polícia Militar, situado no Tucuruvi, zona norte de São Paulo.
O advogado Mauro Ribas, que defendeu o soldado Lucas Cardoso, relatou que ele se dirigiu ao hospital, acompanhado da advogada Fernanda Borges de Aquino, para realizar uma perícia médica devido a uma lesão no ombro.
“É comum que policiais militares levem advogados a essas perícias, uma vez que frequentemente ocorrem problemas na validação de atestados médicos. Isso serve como suporte para garantir a produção de provas”, explicou Ribas.
No decorrer da avaliação médica, o capitão Marcelo Cavalcante teria impedido a gravação da consulta pela defesa e solicitado a saída da advogada do ambiente. Em resposta a essa situação, o soldado decidiu registrar a consulta por conta própria, sendo questionado pelo capitão sobre a gravação.
Após aproximadamente oito minutos de atendimento, Lucas teria indagado se estava liberado e qual seria o resultado da perícia. Nesse momento, ao se referir ao capitão como “você”, o soldado foi imediatamente preso.
Consciente da detenção de Lucas, sua defesa acionou o advogado Mauro Ribas, que foi até o hospital e notou inconsistências nos depoimentos sobre os acontecimentos. Ribas escutou as gravações feitas pelo soldado e ouviu as versões do capitão e de dois tenentes presentes na ocasião.
“Assim que cheguei, percebi que os relatos do capitão e dos tenentes não correspondiam. Foi evidente que havia mentiras em suas declarações”, declarou Ribas.
Em decorrência das contradições, o advogado prendeu o capitão por denunciação caluniosa e os tenentes por falso testemunho, já que estes corroboraram a versão apresentada pelo médico.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que um Inquérito Policial Militar (IPM) está em andamento para investigar o caso. A pasta destacou que Lucas inicialmente foi detido por supostamente infringir o Artigo 160 do Código Penal Militar, que trata do desrespeito a um superior em presença de outro militar; contudo, após análise dos depoimentos, ele foi liberado.
A advogada Fernanda Borges utilizou suas redes sociais para informar sobre a libertação de Lucas Cardoso: “A prisão em flagrante foi relaxada diante das graves irregularidades constatadas nos depoimentos das testemunhas e da suposta vítima, que agora é investigada por denunciação caluniosa e falso testemunho. O direito à liberdade não deve ser comprometido por versões fabricadas ou testemunhos contaminados”, finalizou.
A CNN está buscando contato com as defesas dos tenentes e do capitão, mantendo espaço aberto para eventuais manifestações sobre o caso.