Sobe para 47 o número de mortos pelas chuvas em Minas Gerais

Temporais deixam rastro de destruição em Juiz de Fora e Ubá; Minas Gerais soma 3.000 desabrigados e buscas por desaparecidos continuam hoje.

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

As fortes precipitações que atingiram a Zona da Mata de Minas Gerais elevaram o número de vítimas fatais para 47 na noite desta quarta-feira (25/02). Segundo o balanço mais recente do Corpo de Bombeiros, a região enfrenta um cenário de devastação, com foco principal em Juiz de Fora e Ubá. Ao todo, a corporação mantém oito frentes de trabalho ativas para localizar sobreviventes em Minas Gerais.

Em Juiz de Fora, o município mais castigado, foram confirmados 41 óbitos, enquanto 18 pessoas permanecem desaparecidas. Já em Ubá, o registro oficial aponta 6 mortes e 2 desaparecidos. O esforço de resgate já logrou êxito em retirar 208 pessoas com vida das áreas de risco, mas o número de desabrigados e desalojados no estado já ultrapassa a marca de 3.600 cidadãos.

Calamidade pública e identificação das vítimas

A cidade de Juiz de Fora entrou em estado de calamidade pública ainda na madrugada de terça-feira (24). A prefeitura descreveu o cenário local como uma cidade com “cicatrizes” profundas após o transbordamento de rios e deslizamentos de terra. A Polícia Civil informou que, dos 34 corpos encaminhados ao Posto Médico-Legal em Juiz de Fora, 33 já foram formalmente identificados.

“O chão trepidou cerca de 24 horas antes da tragédia. Tivemos pouquíssimo tempo para sair de casa”, relatou um morador do Parque Jardim Burnier à reportagem.

O bairro Jardim Burnier foi o epicentro da tragédia no município, onde a força da lama destruiu completamente pelo menos 12 residências. Em Ubá, todas as vítimas fatais já foram identificadas pelos órgãos competentes, consolidando o luto em Minas Gerais.

Panorama dos danos e assistência humanitária

Os dados numéricos revelam a magnitude da crise humanitária enfrentada pela Defesa Civil e pelas prefeituras locais. A infraestrutura urbana sofreu danos severos, com dezenas de vias interditadas por queda de árvores e acúmulo de entulho.

IndicadorJuiz de ForaUbá
Óbitos Confirmados416
Desaparecidos182
Desabrigados3.00026
Desalojados400178

Um óbito por eletrocussão foi registrado em Ubá durante os alagamentos, entretanto, as autoridades de Minas Gerais não contabilizam este caso como uma morte direta causada pelos desastres geológicos das chuvas.

Histórico de tragédias e previsão meteorológica

O estado possui um histórico recente de eventos climáticos extremos. Em janeiro de 2020, por exemplo, Minas Gerais registrou 53 mortes em decorrência de temporais, o que acende o alerta para a necessidade de políticas de prevenção mais robustas.

A previsão para esta quarta-feira e os dias subsequentes ainda é de instabilidade. Novos temporais são esperados na faixa centro-sul, o que mantém as equipes de prontidão em Minas Gerais. Especialistas alertam que o solo saturado aumenta significativamente o risco de novos deslizamentos, mesmo com chuvas de menor intensidade.

A economia local também sente o impacto: em Juiz de Fora, o setor de serviços e comércio permaneceu majoritariamente fechado nas últimas 24 horas, em respeito às vítimas e pela impossibilidade logística de circulação. As buscas continuam ininterruptas, com o apoio de cães farejadores e maquinário pesado enviado pelo governo de Minas Gerais.

  • Publicado: 19/01/2026
  • Alterado: 19/01/2026
  • Autor: 26/02/2026
  • Fonte: motisukipr