Sisu 2026: cursos de inteligência artificial sextuplicam em 1 ano

A oferta de graduações em inteligência artificial saltou de 4 para 24 opções. Entenda onde estudar e como aproveitar o boom tecnológico nas federais.

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O Sisu 2026 consolida uma transformação inédita no ensino superior brasileiro com foco total em tecnologia. A oferta de cursos de graduação em inteligência artificial (IA) explodiu nesta edição, passando de apenas quatro para 24 opções disponíveis aos candidatos.

Esse crescimento de 600% não é acidental. Ele reflete um alinhamento direto entre as universidades federais e as novas diretrizes do Ministério da Educação (MEC), que priorizam áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional. Ao todo, são 1.496 vagas específicas abertas para quem deseja liderar o futuro digital.

Tipos de formação disponíveis

As novas graduações, aprovadas majoritariamente no final de 2025, fogem do tradicional e se dividem em três eixos principais:

  • Bacharelados exclusivos em Inteligência Artificial.
  • Formações híbridas de Ciência de Dados com IA.
  • Integração entre Engenharia de Software e IA.

Onde encontrar vagas no Sisu 2026

A distribuição geográfica das vagas no Sisu 2026 mostra uma descentralização importante, embora o Sudeste ainda concentre grande parte das oportunidades.

Minas Gerais lidera o ranking nacional com oito cursos. A Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por exemplo, reformulou sua engenharia de computação para colocar a IA como espinha dorsal do currículo. Waldenor Barros Moraes Filho, pró-reitor da UFU, define a mudança como uma resposta vital às exigências do mercado global.

Em São Paulo, a UFScar desponta como a única instituição pública do estado a oferecer um bacharelado específico na área, combinando Ciência de Dados e Inteligência Artificial.

Mapeamento das oportunidades por região:

  • Sudeste: Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
  • Centro-Oeste: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
  • Nordeste: Ceará, Piauí, Maranhão, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Pernambuco.
  • Sul: Rio Grande do Sul e Paraná.
  • Norte: Tocantins.

Inovação no Norte e currículos adaptados

No Norte, a Universidade Federal do Tocantins (UFT) inova com um bacharelado interdisciplinar. O modelo foca em ciclos: após uma formação básica de cinco semestres, o aluno do Sisu 2026 direciona seus estudos para agronegócio, bioeconomia ou saúde digital, atendendo demandas locais.

Currículos modernos e o plano nacional

As instituições garantem que não se trata apenas de mudar nomes. A Universidade de Brasília (UnB) retomou sua oferta com um curso de quatro anos, onde o último ano é imersivo em robótica e hardware para IA.

Dez das 14 instituições ouvidas pela Folha confirmaram usar diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA). O objetivo é claro: reduzir a dependência tecnológica do Brasil em relação ao exterior. O MEC apoia esse movimento através do programa Universidades Inovadoras e Sustentáveis, que fomentou a criação de 133 cursos nas áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Alerta de especialistas: quantidade vs. qualidade

Apesar do entusiasmo com o Sisu 2026, a expansão acelerada exige cautela. O professor Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás (UFG) — pioneira na área desde 2020 —, alerta para o risco de “maquiagem” curricular sem a devida infraestrutura.

“A boa notícia é que existe uma grande demanda por profissionais na área; contudo, sem infraestrutura adequada, corremos o risco de formar profissionais com uma base teórica excessiva.”

A concorrência na UFG ilustra o aquecimento do setor: a disputa por uma vaga em IA já supera a de cursos tradicionais como Medicina. Para mitigar falhas na formação, a Universidade Federal Jataí (UFJ) implementou uma residência acadêmica obrigatória, garantindo prática real aos estudantes.

Para os candidatos que pleiteiam uma vaga no Sisu 2026, o cenário é promissor, mas exige pesquisa sobre a grade curricular e a maturidade dos projetos pedagógicos de cada universidade. A tendência é que, nos próximos anos, o mercado e o MEC consolidem esses modelos, separando as inovações reais das reestruturações superficiais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/01/2026
  • Fonte: FERVER