Síndrome do Balde de Caranguejo como ameaça à governança
Entenda como a sabotagem interna e o choque de egos entre sócios podem ferir a lealdade empresarial e paralisar o crescimento dos negócios
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 16/02/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
No dinâmico ecossistema do mundo corporativo, os riscos mais letais nem sempre vêm de fora, como a concorrência ou as crises econômicas. Muitas vezes, a ameaça nasce dentro da própria empresa, de forma invisível e silenciosa. A chamada “Síndrome do Balde de Caranguejo” descreve um comportamento destrutivo de governança onde sócios ou gestores, movidos por insegurança, tentam sabotar o crescimento alheio. O resultado é um prejuízo coletivo: para que ninguém suba, todos acabam ficando presos no fundo do balde.
A sabotagem como ruptura da governança e lealdade entre sócios

Explorar onde o senso comum enxerga apenas imaturidade, a Governança Corporativa — que é o conjunto de regras que ditam como uma empresa deve ser gerida — identifica uma falha grave. Na prática, esse boicote se manifesta através de barreiras criadas para travar projetos estratégicos ou na tentativa de desqualificar profissionais brilhantes. Quando um sócio age para “puxar o outro para baixo”, ele fere a Boa-fé Objetiva, que é o dever ético de agir com lealdade e cooperação. Esse cenário destrói a chamada “affectio societatis”, termo jurídico para o desejo e a confiança que mantêm os sócios unidos em um propósito comum.
Impactos financeiros e o risco da paralisia nas decisões
O custo desse comportamento é alto e aparece rapidamente no caixa. A briga de egos leva à judicialização de conflitos, transformando reuniões em processos na Justiça. Isso gera o “deadlock”, uma espécie de “nó” ou paralisia onde nenhuma decisão importante é tomada porque os sócios não se entendem. Além da queda no valor de mercado da empresa, existe o risco de responsabilização dos administradores, que podem responder legalmente por colocar seus interesses pessoais acima do sucesso da companhia.
Arquitetura jurídica como proteção para o negócio

Para evitar que o brilho de um talento se torne uma ameaça para o outro, a solução não é apenas o diálogo, mas sim uma estrutura jurídica sólida. A blindagem da empresa acontece através de Acordos de Sócios bem escritos, que funcionam como um “contrato de convivência” com regras claras para resolver impasses. Investir em Compliance — que nada mais é do que garantir que todos sigam as normas e padrões éticos — ajuda a criar uma cultura de mérito. Afinal, empresas que duram são aquelas que entendem que o sucesso de um indivíduo deve servir de impulso para o grupo, e não de motivo para o boicote.
Fabricio Ferreira de Araújo Tavares

Fabrício Ferreira de Araújo Tavares, advogado à frente do Tavares Advocacia e Assessoria Jurídica, tem atuação consolidada na área do Direito Público, com foco em Direito Administrativo, Direito Constitucional e gestão governamental. Sua trajetória é marcada pela combinação entre prática jurídica e sólida formação acadêmica voltada às relações entre Estado, políticas públicas e administração pública.
Bacharel em Direito pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Tavares possui mestrados e pós-graduações em Direito Administrativo, Direito Constitucional, Diversidade e Inclusão Social, além de MBA em Política e Gestão Governamental e Análise de Políticas Públicas, com passagens por instituições como a Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e a Escola Paulista de Direito.