O silêncio do empresariado sobre responsabilidade social

A falta de clareza sobre responsabilidade social revela lacunas estruturais que podem comprometer confiança, competitividade e impacto social real das empresas

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Quando se pergunta a um empresário brasileiro: “qual é a responsabilidade social da sua empresa?”, a resposta raramente é direta. Surgem rodeios sobre geração de empregos, pagamento de impostos ou qualidade de produtos. São respostas corretas, mas não completas. A questão essencial continua em aberto: qual é o impacto concreto e planejado da sua companhia sobre a sociedade?

Responsabilidade social não é filantropia

Empresários - Responsabilidade Social - Negativa - Down
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Esse silêncio não é casual — ele revela um traço estrutural. No Brasil, persiste a confusão entre filantropia e responsabilidade social, como se doações esporádicas ou ações de marketing fossem suficientes para atender à expectativa da sociedade. Em contraste, mercados mais maduros já avançaram para métricas claras e comparáveis de impacto.

Em 2022, durante um evento sobre ESG em São Paulo, um grande empresário do setor de construção civil foi perguntado publicamente: “quais são as metas sociais que sua empresa assumiu para os próximos cinco anos?”. A plateia esperava números claros, como geração de empregos inclusivos, investimento em comunidades ou redução de impacto ambiental.

A resposta? Ele falou sobre “a importância de manter a competitividade” e sobre “o papel da construção civil no PIB nacional”. Nenhuma meta, nenhum indicador, nenhuma ação concreta. Um caso exemplar de como, diante de perguntas diretas, muitos empresários preferem o silêncio disfarçado em discursos genéricos.

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O risco do silêncio para reputação e mercado

Empresários - Responsabilidade Social
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Segundo a Deloitte (2023), 77% das grandes empresas globais já publicam relatórios ESG auditados, enquanto no Brasil esse número não chega a 35%. A PwC mostra que 78% dos consumidores globais preferem comprar de marcas que demonstram compromisso socioambiental, e 84% dos investidores institucionais consideram critérios de sustentabilidade em suas decisões. Em mercados como a Europa, fundos com selo ESG já representam mais de 50% do capital sob gestão; no Brasil, mal chegam a 10%.

A contradição é visível: existe mercado e pressão por práticas responsáveis, mas prevalece a hesitação. No país, muitas empresas temem o custo de assumir compromissos públicos ou ainda veem responsabilidade social como uma despesa, não como estratégia. É um equívoco. A McKinsey estima que companhias que integram sustentabilidade ao core business podem ter ganhos de margem de até 20% pela redução de riscos e aumento de confiança de consumidores e investidores.

Enquanto isso, as pequenas e médias empresas brasileiras, mesmo sem recursos abundantes, já começam a mostrar caminhos práticos: iniciativas de reciclagem comunitária, inclusão de pessoas com deficiência e parcerias locais em educação e cultura. São exemplos de que responsabilidade social não depende de escala, mas de clareza, continuidade e mensuração.

Silenciar diante dessa pauta é arriscado. O Edelman Trust Barometer (2024) aponta que 62% dos consumidores brasileiros acreditam que empresas “falam mais do que fazem” em responsabilidade social. Esse descrédito é corrosivo: mina reputações, afasta talentos e reduz competitividade em um mundo cada vez mais atento ao impacto corporativo.

Impacto Real

Responsabilidade Social - Terceiro Setor
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A pergunta permanece incômoda: se amanhã alguém lhe pedir para responder, em uma frase simples, “qual é a sua responsabilidade social?”, sua empresa teria coragem de apresentar compromissos claros e resultados mensuráveis? Ou cairia no mesmo silêncio que marca boa parte do empresariado nacional?

No Adote, a resposta já dura 26 anos: transformar vidas, sem depender de incentivos fiscais ou verbas públicas, mas com ações contínuas que alcançam dezenas de milhares de pessoas em todo o Brasil. Não é discurso, é prática.

E é justamente essa prática que dá base ao nosso convite: que sua organização também se torne uma Empresa Comprometida com o Adote um Cidadão. Mais do que um selo, é a chance de assumir um compromisso real com a inclusão, a dignidade e a transformação social. Porque responsabilidade social não se responde em palavras — se responde em ações.

Sobre o Adote um Cidadão

Há 26 anos, o Adote um Cidadão atua na linha de frente da transformação social, promovendo justiçaacessibilidade e inclusão para pessoas com deficiência e populações em situação de vulnerabilidade. São mais de duas décadas multiplicando sorrisos e protagonismo por meio de iniciativas socioeducativasesportivas e culturais que geram impacto real na sociedade.

Se sua empresa acredita no poder do propósito, torne-se uma Empresa Comprometida. Este é o nosso programa exclusivo de responsabilidade social corporativa, voltado a organizações que desejam alinhar seus valores aos princípios do ESG, fortalecer sua reputação institucional e participar ativamente da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 03/10/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping