Setores brasileiros enfrentam desafios com novas tarifas dos EUA

Haddad anunciou que o governo está elaborando um plano emergencial para proteger empregos e mitigar os impactos econômicos da nova política tarifária

Crédito: José Cruz/Agência Brasil

O recente aumento das tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem gerado preocupações significativas entre diversos setores da economia brasileira. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que, apesar da inclusão de exceções para segmentos estratégicos, as consequências do “tarifaço” são dramáticas para algumas indústrias.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
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A medida, que elevou a alíquota sobre produtos brasileiros para 50%, afetará diretamente aproximadamente 35,9% das exportações do Brasil para os EUA. A Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham) estima que cerca de 10 mil empresas brasileiras podem ser impactadas por essa decisão, o que representa um potencial risco para os 3,2 milhões de empregos gerados por essas indústrias.

Embora setores como o aeronáutico e o energético tenham recebido alívios através de uma lista de 700 exceções, muitas áreas permanecem sob pressão intensa. Por exemplo:

  • Carnes: A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) prevê uma perda de até US$ 1 bilhão nas vendas de carne bovina devido às novas tarifas.
  • Café: O café brasileiro representa 34% do mercado nos EUA, e analistas acreditam que parte da produção pode ser redirecionada a outros mercados.
  • Frutas: A Abrafrutas alerta para impactos severos nas exportações de frutas como manga e uva, que são cruciais para o comércio com os EUA.
  • Máquinas e Equipamentos: José Velloso, da Abimaq, expressou preocupação com as perdas potenciais em um setor que representa entre 8% e 10% das vendas brasileiras aos EUA.
  • Têxteis: A Abit indica que a tarifa pode ter efeitos devastadores na economia do setor têxtil e de confecção.
  • Calçados: A Abicalçados menciona riscos de danos irreversíveis às exportações e ao emprego no setor.

Diante desse cenário desafiador, Haddad anunciou que o governo está elaborando um plano emergencial para proteger empregos e mitigar os impactos econômicos da nova política tarifária. O ministro enfatizou a necessidade de agir rapidamente e em colaboração com outras esferas governamentais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou uma série de solicitações ao governo federal visando atenuar os efeitos do tarifaço. As propostas incluem a criação de linhas de financiamento emergencial e a prorrogação do prazo para pagamento de tributos federais. Os setores afetados também pedem um diálogo contínuo com os Estados Unidos para buscar a inclusão de seus produtos na lista de exceções.

Além disso, Haddad revelou que medidas adicionais estão sendo consideradas para assegurar linhas de crédito direcionadas aos setores impactados. Ele sugeriu que um modelo similar ao programa implementado durante a pandemia da Covid-19 pode ser considerado, onde o governo subsidia salários para preservar empregos em situações críticas.

Agência Brasil

A expectativa é que as primeiras ações sejam anunciadas nos próximos dias, em resposta às necessidades urgentes dos setores industriais brasileiros frente a este novo desafio econômico.

  • Publicado: 20/02/2026
  • Alterado: 20/02/2026
  • Autor: 04/08/2025
  • Fonte: Patati Patatá Circo Show