Setor do café solicita saída de tarifaço dos EUA
Cecafé pede revisão de tarifas e destaca importância do café brasileiro para os EUA
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 18/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O setor cafeeiro brasileiro formalizou um pedido ao governo dos Estados Unidos para que o café seja excluído da lista de produtos que sofrem uma tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump. O apelo é acompanhado de um alerta sobre as possíveis consequências negativas para marcas tradicionais americanas.
Em uma carta endereçada ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA), que iniciou uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial americana, o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) apresentou uma análise detalhada do setor. O documento ressalta a importância do Brasil como maior produtor e exportador de café mundial e destaca a interdependência econômica entre os dois países.
De acordo com a carta, o café brasileiro representa mais de 30% do mercado americano, consolidando o Brasil como seu principal fornecedor. Em contrapartida, os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras, correspondendo a 16% do total. “É crucial lembrar que o café brasileiro é vital para a economia americana”, afirma o texto.
Embora não mencione diretamente marcas específicas, a correspondência implica que grandes empresas como Folgers, da J.M. Smucker Company, e Maxwell House, da Kraft Heinz, além de redes como Dunkin’ e Starbucks, poderiam ser impactadas pela imposição das tarifas. O Cecafé enfatiza que marcas icônicas da economia americana podem enfrentar sérias dificuldades, podendo até mesmo desaparecer caso sejam forçadas a modificar seus blends devido ao aumento nos custos.
No ano de 2024, o Brasil já exportou 50,5 milhões de sacas de café para mais de 120 países, resultando em uma receita aproximada de US$ 12,5 bilhões (R$ 67,5 bilhões). O Cecafé também destaca a contribuição ambiental do cultivo de café no Brasil, com 51.500 km² de reservas legais e áreas protegidas em sua região produtiva.
A carta também enfatiza a importância dos pequenos produtores no setor cafeeiro brasileiro, que conta com aproximadamente 264,9 mil cafeicultores, sendo 72% deles com propriedades inferiores a 20 hectares. Além disso, cita um estudo da NCA (National Coffee Association) que aponta que cerca de 76% dos americanos consomem café regularmente.
Os gastos anuais dos consumidores americanos com café e produtos relacionados alcançam impressionantes US$ 110 bilhões (aproximadamente US$ 301 milhões por dia), representando mais de 8% do valor total da indústria alimentícia nos Estados Unidos. A indústria cafeeira gera mais de 2,2 milhões de empregos no país e contribui com mais de US$ 101 bilhões em salários.
Além disso, para cada dólar gasto em café importado, são injetados US$ 43 adicionais na economia americana. Em suma, o setor movimenta anualmente cerca de US$ 343 bilhões, equivalente a aproximadamente 1,2% do PIB dos EUA.
Diante da relevância econômica do café tanto para os consumidores quanto para a economia americana como um todo, o Cecafé solicita uma reavaliação sobre a decisão de impor tarifas ao café brasileiro. Tal medida poderia resultar em aumentos significativos nos preços e inflação devido ao repasse dos custos adicionais aos consumidores.
Na semana passada, o governo Lula anunciou um plano contingencial denominado “Plano Brasil Soberano“, destinado a apoiar empresas afetadas pela sobretaxa imposta pelos EUA. Este pacote inclui uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para ajudar as empresas prejudicadas e prevê adiamento de impostos federais e um aumento no ressarcimento de créditos tributários.
A medida provisória que contém essas ações já está em vigor e será submetida à apreciação do Congresso dentro do prazo estipulado de 120 dias.
Recentemente, observou-se uma queda nas exportações brasileiras de café verde: um recuo de 28,1% em julho comparado ao mesmo mês do ano anterior. A quantidade embarcada foi de 2,45 milhões de sacas devido à redução nos estoques antes da aplicação das tarifas previstas para agosto.
Em julho, o Brasil enviou ao exterior cerca de 1,98 milhão de sacas de grãos arábica e quase 461 mil sacas dos cafés canéforas (robusta/conilon). Com as empresas americanas solicitando adiamentos nas importações enquanto buscam soluções para as tarifas impostas, há discussões no setor sobre estratégias alternativas para manter a competitividade das exportações brasileiras.
O diretor-geral do Cecafé mencionou durante um videocast que uma alternativa viável seria triangular as exportações através da União Europeia — que possui tarifas menores — onde os grãos brasileiros seriam torrados e misturados antes de serem enviados aos Estados Unidos. Essa estratégia pode representar uma solução para contornar as barreiras tarifárias atuais.