Sessões de equoterapia melhoram qualidade de vida de crianças com autismo

Projeto-piloto da Prefeitura de São Bernardo prevê, além da proximidade com os cavalos, atendimento integral, com fonoaudiólogos e fisioterapeutas

Crédito: Valmir Franzoi

“Fiquei sem reação no momento. Fico feliz porque ela quase não fala.” É dessa maneira que Simone Rodrigues definiu o momento em que sua filha, Aysha Ruany Rodrigues de Oliveira, disse pela primeira vez a palavra “cavalinho”. Aysha, que tem autismo, é uma das quatro crianças que participam de projeto-piloto da Secretaria de Saúde de São Bernardo que prevê sessões semanais no serviço de equoterapia para pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil.

Nas primeiras semanas do projeto, Simone relata que, além da filha ter aprendido uma nova palavra, também está mais calma em casa. “No início ela demonstrava certo medo, mas depois que ela montou no cavalo não queria descer mais. Hoje ela fica ansiosa pelas sessões”, disse a mãe.

Carla Santana da Silva, mãe do paciente Sandro Ubiratan, relatou que, desde que começou a participar das sessões, o filho está mais calmo. “As crianças com autismo geralmente são hiperativas e têm picos de estresse. No caso do Sandro, a equoterapia está ajudando ele a ficar mais tranquilo”, afirmou.

A ação teve início em janeiro deste ano com a elaboração de um projeto terapêutico único para as crianças envolvidas nas sessões. Antes do começo dos trabalhos, os pacientes passaram por exames médicos e foram avaliados pelas equoterapeutas, que verificaram se o grupo tinha condições de participar das atividades com cavalos.

O Centro Municipal de Equoterapia mantido pela Prefeitura possui fonoaudiólogos, fisioterapeutas, zootecnistas e auxiliares de pista. Atualmente, a unidade realiza 64 atendimentos semanais. Os encaminhamentos são feitos pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER), além de atender pacientes do CAPS-AD (Álcool e Drogas) e agora do CAPS Infantil.

As sessões ocorrem sempre às sextas-feiras pela manhã. A previsão é que as crianças permaneçam na equoterapia por oito meses. “Esse é o período considerado ideal para que as crianças desenvolvam e melhorem suas atividades motoras, postura, entre outros campos”, disse a coordenadora do Centro de Equoterapia, Juliana Lacerda.

A coordenadora explicou que, enquanto aguardam o momento do montar, que é feito de forma individual, os pacientes fazem atividades relacionadas ao desenvolvimento da linguagem e coordenação motora. “O atendimento em grupo aos autistas também favorece a interação entre eles e os profissionais”, destacou.

Juliana Andrade explicou que há muitos benefícios para os pacientes que frequentam a equoterapia. “A pessoa que é cadeirante, por exemplo, consegue ver o mundo de outra perspectiva quando está em cima de um cavalo. Além disso, se dá conta de que consegue controlar o animal”, disse.

SERVIÇO – O Centro Municipal de Equoterapia fica na Av. Wallace Simonsen, 1.750, Bairro Nova Petrópolis.