Sesc São Caetano apresenta o espetáculo Sem Palavras
Livremente inspirado em contos do autor moçambicano Mia Couto, o espetáculo narra a experiência de um pai que conta histórias para a filha adormecer e, com o tempo, se envolve tanto com a contação que passa a se ver personagem dela, misturando as fronteiras entre o narrado e o vivido, entre as palavras e seus […]
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 14/11/2014
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Livremente inspirado em contos do autor moçambicano Mia Couto, o espetáculo narra a experiência de um pai que conta histórias para a filha adormecer e, com o tempo, se envolve tanto com a contação que passa a se ver personagem dela, misturando as fronteiras entre o narrado e o vivido, entre as palavras e seus sentidos. A peça é uma produção da Penélope Cia. de Teatro com direção de Erika Coracini e dramaturgia de Alexandre Krug. A apresentação acontece no dia 22 de novembro de 2014, sábado, às 20h, na Área de Convivência do Sesc São Caetano. Integra o projeto Cena Intimista, cuja proposta se baseia na exibição de peças com elencos pequenos focadas na proximidade com a plateia.
Dotada de características próprias do realismo fantástico, a trama apresenta elementos excêntricos. Reproduzida por um narrador em primeira pessoa, a peça gira em torno de um pai, contador de histórias, e de sua filha, que tem dificuldades para dormir. Habituado a inventar fábulas para a menina, o pai cria, certa vez, a história de uma garota que fala sem palavras, por meio de sons e sílabas desconexas, para desespero de sua família. No conto inventado, a menina bebe a lágrima do pai e diz, para surpresa de todos, a palavra “mar”. O espetáculo atinge o clímax quando, na história criada pelo protagonista, o pai decide levar a filha para ver o mar. Nesse momento, o público é conduzido para uma trajetória atravessada por aparições arquetípicas e por imagens fantásticas que beiram o sobrenatural.
Produtora da peça, a Penélope Cia. de Teatro aposta na mistura de múltiplas linguagens – teatro, dança, literatura e vídeo – e trabalha com a ideia do ator-performer, aquele capaz de deslocar a busca do sentido imposta pela lógica dramática para outro jogo, cuja lógica esteja na percepção e no diálogo com o aqui-agora da cena teatral. Desta maneira, a dramaturgia se constrói também pelo seu corpo, por sua relação com o público, com o espaço e com o próprio acaso do momento presente.
Para a criação da dramaturgia de Sem Palavras, foram utilizadas as obras Contos do Nascer da Terra, Estórias Abensonhadas e O Fio das Missangas, de Mia Couto, um dos principais escritores africanos, comparado a Gabriel Garcia Márquez, Guimarães Rosa, Manoel de Barros e Jorge Amado. Em suas obras, ele recria a língua portuguesa a partir da influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa.
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