Sesc São Caetano apresenta o espetáculo A árvore seca

O monólogo busca inspiração na linguagem da literatura de cordel para narrar a triste vida de uma sertaneja, do nascimento à velhice. Ester Laccava brilha em um papel difícil

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Com dramaturgia de Alexandre Sansão e direção de Leandro Goddinho e Antônio Vanfill, a montagem empreende profunda investigação sobre a sociedade contemporânea a partir da perspectiva de uma mulher nordestina, interpretada por Ester Laccava, partindo do universo particular do sertão para traçar um retrato universal da experiência humana. A apresentação acontecerá no dia 25 de abril, sábado, às 20h, na Área de Convivência do Sesc São Caetano. Integra o projeto Cena Intimista, cuja proposta se baseia na exibição de peças com elencos pequenos focadas na proximidade com a plateia.

Apropriando-se da poética do cordel e revezando-se com depoimentos autobiográficos da atriz, o texto, narrado em primeira pessoa, apresenta na forma de odisséia épica a trajetória de uma nordestina do nascimento à velhice. A personagem compartilha com o público em versos rimados a beleza de uma vida em que a felicidade é extraída com esforço de pequenos momentos isolados de um cotidiano amargo.

 “Nunca me coloco como ‘foco’, mas como parte de algo maior, buscando textos que tenham alguma importância para muitas pessoas, que elas sejam tocadas tanto nas projeções como no distanciamento que elas compreendem da obra. Interesso-me pelo teatro sem fronteiras, inclassificável, que gera dúvidas nas nossas escolhas, que nos torna mais generosos e justos. Ao ler o texto do Alexandre Sansão, um jovem de 23 anos, fui rendida de compaixão por esse universo tão glorificante, ‘santo’, que é nosso sertão”, comenta Ester Laccava, que em 2011 recebeu pela atuação na peça sua quarta indicação ao Prêmio Shell de melhor atriz. 

Sansão orientou a dramaturgia de A árvore seca para a construção de uma narrativa híbrida, predominantemente épica e com aspectos da lírica e imagens que substituem ações dramáticas de modo não linear, uma tentativa de situar no contexto sertanejo um personagem próprio da tragédia grega. O espetáculo convida para um mergulho na aridez do sertão nordestino – reproduzido sem estereótipos e retratado por meio de pequenos dramas do dia a dia, combinando reflexão e entretenimento na observação de hábitos e costumes.

Para trabalhar o espetáculo enquanto instalação, Leandro Goddinho e Antônio Vanfill enveredaram-se na mistura de linguagens das artes plásticas e do audiovisual a do teatro. O cenário é simples, ainda que repleto de signos. Opera com uma mesa e uma cadeira, que auxiliam no momento em que Ester Laccava se maquia em cena, expondo os mecanismos de montagem da figura; uma semi-arena demarcada por uma ossada de boi; um baú com água e uma tela branca, em que são projetados vídeos cenários, produzidos a partir de uma série de imagens inspiradas nos panoramas brasileiros pintados pelo holandês Frans Post em 1637. Nos vídeos, representa-se certa natureza deslumbrante em abundância a fim de se confrontá-la com a fragilidade do ser humano.

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  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 24/04/2015
  • Fonte: Farol Santander São Paulo