Sesc Santo André recebe temporada gratuita da Clarin Cia. de Dança

Com espetáculos que unem o passinho à tradição maranhense, a Clarin Cia. de Dança ocupa o Sesc Santo André nos dois últimos sábados de fevereiro.

Crédito: Divulgação

A área de convivência do Sesc Santo André será palco de um encontro potente entre a ancestralidade e a cultura urbana brasileira. Nos dias 21 e 28 de fevereiro, a Clarin Cia. de Dança apresenta dois espetáculos gratuitos que exploram a resistência dos corpos periféricos e as tradições do bumba-meu-boi. Sob a direção artística do maranhense Kelson Barros, a companhia traz montagens que já circularam pelos principais centros culturais do país, reafirmando o compromisso da unidade com a democratização do acesso à arte de alta qualidade.

A temporada tem início no dia 21 de fevereiro, às 16h, com a obra “Terras de Águas e Cazumbas”. Já o encerramento, no dia 28 de fevereiro, fica por conta do aclamado “ou 9 ou 80”, vencedor do Prêmio APCA 2021. Ambos os trabalhos utilizam o movimento como ferramenta política e poética para narrar as vivências de comunidades que, embora distantes geograficamente, compartilham o mesmo DNA de resiliência.

A espiritualidade do bumba-meu-boi no Sesc Santo André

No primeiro sábado da temporada (21/2), o público do Sesc Santo André poderá conferir “Terras de Águas e Cazumbas”. O espetáculo mergulha na última etapa do ciclo do bumba-meu-boi — a morte do boi — sob o olhar atento dos grupos da Baixada Maranhense, especificamente das regiões de Viana, Matinha e Monção. A montagem evoca uma dança folclórica contemporânea onde os tambores e os gestos dos “Cazumbas” transformam o palco em um rito de memória e espiritualidade.

Com coreografias assinadas por Kelson Barros, Lucas Pardin e Richard Pessoa, o elenco de dez bailarinos traduz a força de tradições que sobrevivem longe dos grandes eixos comerciais. A trilha sonora de Alysson Bruno e a cenografia de Kelson Barros complementam a experiência sensorial, convidando o espectador a um mergulho nas águas e mistérios do Maranhão.

O passinho como resistência: o premiado “ou 9 ou 80”

Para encerrar a ocupação no Sesc Santo André em 28 de fevereiro, a companhia apresenta o premiado “ou 9 ou 80”. Este trabalho é um manifesto artístico sobre a realidade das periferias de São Paulo e do Rio de Janeiro. A obra nasceu do encontro de artistas com formações diversas — que vão do ballet clássico ao funk e ao passinho — e reflete sobre episódios de violência, racismo e desigualdade social.

O espetáculo exalta a beleza da vida e a felicidade como atos de rebeldia. Através das batidas do funk e da plasticidade da dança urbana, os intérpretes-criadores mostram que a arte é a maior potência de transformação humana. A ficha técnica conta com consultoria de passinho de Iguinho Imperador e trilha sonora assinada pelos DJs Seduty e Yure IDD.

Cultura popular e acesso livre em Santo André

A escolha do Sesc Santo André para receber estas apresentações reforça a importância de espaços de convivência como centros de fomento cultural. A gratuidade das sessões permite que famílias inteiras tenham contato com o que há de mais relevante na dança contemporânea brasileira em 2026. A Clarin Cia. de Dança, através dessas duas obras, não apenas apresenta coreografias, mas promove um diálogo necessário sobre quem são e o que dizem os corpos que dançam o Brasil real.

Para os interessados em acompanhar as apresentações, não é necessária a retirada antecipada de ingressos, seguindo a política de livre circulação da área de convivência. É uma oportunidade única de ver de perto o trabalho de uma companhia que, com 60 minutos de performance por espetáculo, consegue sintetizar séculos de cultura popular com o dinamismo das ruas atuais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 19/02/2026
  • Fonte: FERVER