Sesc Ipiranga recebe temporada de Medea Depois do Sol

Nova montagem de Medea Depois do Sol conecta maternidade, colonização e ecofeminismo

Crédito: Laercio Luz

O espetáculo Medea Depois do Sol estreia no Sesc Ipiranga no dia 6 de março, apresentando uma proposta de teatro poético-político que utiliza o mito grego como lente para observar as violências de gênero na América Latina. Com temporada até o final de março de 2026, a peça desloca a narrativa clássica para um contexto brasileiro e latino-americano, explorando temas como a herança da colonização, o ecofeminismo e as camadas históricas de opressão que recaem tanto sobre o corpo feminino quanto sobre a terra.

A montagem celebra os 30 anos de carreira de Luciana Lyra, que assina o texto inédito e interpreta a protagonista. O trabalho é fruto de uma pesquisa de pós-doutorado realizada na New York University e sintetiza diversas fontes de inspiração, desde vivências pessoais da autora sobre a maternidade até o contato com coletivos de mulheres artivistas em cidades como São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Quito. Um ponto central da dramaturgia é a conexão com as guerreiras de Tejucupapo, de Pernambuco, cujas histórias de resistência alimentam a ideia de um levante feminino no palco.

Segundo a dramaturga e atriz, a obra busca encerrar um ciclo autoral dedicado ao tema da maternidade, utilizando a figura de Medea para representar estratégias de retomada de poder das mulheres sobre suas próprias histórias. A cena investiga a personagem não apenas como um símbolo de maternidade levada ao limite, mas como uma sobrevivente de traumas continentais que propõe uma ruptura com estruturas sociais falocentradas.

Sob a direção de Ana Cecília Costa e Kátia Daher, o espetáculo conta ainda com a atuação da atriz-musicista Lisi Andrade e uma equipe criativa de peso, com trilha sonora assinada por Alessandra Leão, Luciana Lyra e Erika Nande. Na trama, Medea empreende uma navegação de retorno à sua terra natal, Yewá, reescrevendo seu passado de opressão e antecipando um acerto de contas simbólico com o Sol. A produção reafirma o teatro como um espaço de resistência e de construção de novos imaginários para a realidade contemporânea brasileira.

Serviço: Espetáculo: Medea depois do Sol

Temporada Sesc Ipiranga: 06 a 29 de março de 2026

Horários: sextas, 21:30h – Sábados e domingos, 18:30h

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: 12 anos

Ingressos: disponíveis no portal, ou presencialmente nas unidades do Sesc São Paulo. 

Valores: R$50,00 (inteira), R$25,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$15,00 (credencial plena).

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/02/2026
  • Fonte: FERVER