Sesc Avenida Paulista aproxima África e Brasil

Semana Afrikanse que reúne artistas africanos residentes no Brasil com atividades de poesia, literatura e música, marca o Dia da Consciência Negra

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O dia 20 de novembro é marcado pela Consciência Negra, data que remete à morte do líder Zumbi dos Palmares. Como parte das ações voltadas para reflexão e a conscientização do tema, o Sesc Avenida Paulista promove, de 20 a 25 de novembro, a Semana Afrikanse, série de atividades culturais que reúne artistas africanos que residem no Brasil. O projeto incentiva a troca de conhecimento e a conexão com manifestações artístico-culturais afro-brasileira como rodas de conversas, intervenções musicais, performáticas e poéticas.

Programação

As atividades acontecem na Biblioteca (15º andar) e são todas gratuitas. O encerramento acontece na Praça (térreo) com o Sarau Afrikanse. Não é necessário retirar ingressos. Confira a programação completa:

CONEXÃO ARTES VISUAIS
Roda de conversa entre os artistas Chavonga (Angola), Gloire Ilonde (R.D. Congo) e Lumumbra (Brasil). Neste encontro os artistas discorrem sobre suas produções e influências. Além da roda de conversa, haverá uma intervenção artística do grupo de percussão Maobé (Togo).
Quando: 20 de novembro
Horário: às 17h (terça)
Onde: Biblioteca (15º andar)

Paulo Chavonga é artista plástico, grafiteiro e muralista. Seus trabalhos são conhecidos pela expressão forte nos retratos e na vibração das cores. Seu fascínio pela expressão humana e das culturas africanas resulta em estudos dos povos de lugares em que já passou, de dias passados no Kandongueiro, no kimbo, festas de quintal, conversas em volta da fogueira. Nasceu na província de Benguela – Angola. Atualmente residente no Brasil, em São Paulo.

Gloire Ilonde é cantor, compositor, artista plástico e contador de história. Nascido na cidade de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo e atualmente vivendo em São Paulo. Na sua família a música sempre foi uma tradição, para cada filho nascido o seu pai compunha uma música diferente e ILonde começo a cantar aos 9 anos de idade por influência dos pais, a sua arte tem como fonte sua origem e ancestralidade.

Lumumba é afro-indígena, descendente de congoleses Tetelas, da província de Kassai, um caso raro de terceira geração, nascida no Brasil com o nome da escravizada que conseguiu preservar seu nome natural, bisneto de indígena da etnia Puri-Guarani, da serra do Caparaó. Autodidata, pintava orixás em juta, traduzindo os mitos iorubás, influenciado por Michelangelo e Boris Vallejo. Em setembro de 2017 participou do “I Encontro de Pajés do Xingú”, no Parque Indígena do Xingú, foi submetido ao ritual “Arranhadeira”, dentre outras trocas culturais. Em setembro de 2018, realizou sua primeira exposição individual “IMERSÃO”.

AS MAMÁS – MULHERES EM CONEXÃO
Roda de conversa entre as marcantes presenças femininas no Brasil. Louise Edimo (Camarões), Prudence Libonza (R.D. Congo) e Maitê Freitas (Brasil). Além da roda de conversa, haverá uma intervenção artística com Ágata Matos (Brasil).
Quando: 21 de novembro
Horário: às 19h (quarta)
Onde: Biblioteca (15º andar)

Prudence Kalambay Libonza (Rep. Democ. Congo) é ativista dos direitos humanos, palestrante e modelo. Nasceu em Kinshasa e está no Brasil há 10 anos. Neste período viveu no Rio de Janeiro e está em São Paulo há 3 anos. Como modelo foi Miss Bibile 2004 que significa mulher bonita e primeira dama em 2000 em miss elegância. Tem palestrado em diversos eventos em São Paulo e participado de manifestações artísticas onde compartilha as riquezas de sua cultura.

Maitê Freitas é Mestranda em Estudos Culturais (EACH – USP), jornalista e produtora. Idealizadora e realizadora dos projetos multimídia Samba Sampa, Sambas e Dissembas, da web-série Quando Zumbi Chegar e da ação educomunicativa Autofalante. Assina a organização da coleção literária Sambas Escritos. Colabora como produtora executiva do projeto Empoderadas.

Mama Louise é nascida na República dos Camarões (África Ocidental), foi criada na França, estudou literatura na Universidade de Paris7, Jornalismo em Paris e Comunicações na American University (Washington DC-EUA). Trabalhou na publicação de artigos e publicações e também na área de Rádio e TV. Conselheira do Grande Conselho Municipal do Idoso e representante de Imigrantes na cidade de São Paulo.

Ágata Matos é bailarina, atriz e cantora. Formada pelo Bacharelado Interdisciplinar em artes na UFBA, e em coreografia na Escola de dança da FUNCEB é graduada na Técnica Silvestre. Foi integrante de mais de 25 espetáculos e coreografias, uma artista eclética que integrou companhias como a Cia de Dança Robson Correia, Áttomos Cia de Dança, Balé Folclórico da Bahia, Experimentandunus Cia de Dança, dentre outros. Integrante e ministrante do trabalho corpóreo no bloco ZUMBIIDO. Integrante da Cias de teatro Colhendo contos e M.O.T.I.M..

CONEXÃO POÉTICA
Roda de conversa com poetas e escritores Ermi Panzo (Angola), Sonny (Gana) e Thata Alves (Brasil). Intervenção artístico/poética: MiniSlam Deusa Poetiza e Lews Barbosa
Quando: 22 de novembro
Horário: às 19h (quinta)
Onde: Biblioteca (15º andar)

Ermi Panzo está em São Paulo desde 2015. É coreografo e bailarino performer, escritor, poeta declamador, consultor e estruturador de textos literários. Como cidadão do mundo, a difusão da sua arte de coreografar e a literatura, lhe tornam um nômade. Integrante do Sarau do Binho, Projeto Congo Ancestral e parceiro de outros movimentos artísticos. Estudou danças africanas e suas etnias; em Angola, Etiópia, Uganda, Kigalí e suas transcendências em Cuba. Criador da técnica de dança Bantu Lutsassa.

Ngonguita Diogo é o pseudónimo literário de Etelvina da Conceição Alfredo Diogo, natural do Kwanza Norte. Tem seis livros publicados e um CD de poemas musicalizados.  Foi a única representante do Continente Africano na VIII Jornada Internacional de Mulheres Escritoras em S. José do Rio Preto/Brasil em 2015. É membro da Liga Africana, do Movimento Lev´Arte, da Academia de Letras do Brasil, cadeira nº1 de Imortal em Luanda e parceira do Centro Cultural Brasil/Angola.

Thata Alves (ou Thayaneddy Alves) é uma artista multimídia que transita entre vídeo, performance e poesia. Autodidata, precursora do Sarau da Ponte, posteriormente publicou de maneira independente seu primeiro livro de poesia marginal chamado “Em Reticências” pelo selo Academia Periférica de Letras, 2016. E em 2017 lançou seu segundo livro chamado “Troca” também pelo selo Academia Periférica de Letras.

Deusa Poetisa, pseudônimo de Andresa, mulher negra de 33 anos. Formou-se em Educação Artística com habilitação em Artes Cênicas em 2008 na universidade São Judas Tadeu. Poeta , apresentadora, educadora, oficineira, artesã, atriz e dramaturga. Participa do circuito de slams e saraus e foi uma das finalistas do Slam BR 2016. Lançou o zine Afronte, que se apoia no enaltecimento de suas origens étnicas e no combate ao racismo. Atualmente desenvolve trabalho de oficineira em um Caps AD e integra Coletivo Alcova.

Lews Barbosa é paulistano e está no cenário do rap brasileiro desde 1989. É um dos fundadores do grupo Potencial 3 e hoje desenvolve um projeto independente que contempla música, literatura, oralidade e comunicação visual. Já participou de vários projetos de música e oralidade incluindo os shows com a Banda Aláfia, Stereo Tupi, Berimbrown, Sarau Musical da Capoeira, Banda Black Rio e Gerson King Combo. Se destacou como campeão do Slam- SP de 2012. Em junho de 2013, participou da Copa do Mundo de Poesia na França.

CONEXÃO ESTÉTICA E RESISTÊNCIA
Roda de conversa com influenciadores visuais e empreendedores do universo da moda com Gaye Cheikh (Senegal), Amanda Coelho – Diva Green (Brasil) e Paloma Botelho (Brasil). Com performance com Maiwsi Ayana (Brasil).
Quando: 23 de novembro
Horário: às 19h (sexta)
Onde: Biblioteca (15º andar)

Paloma GS Botelho é paulistana e Consultora de Estilo Pessoal. Graduada em Comunicação; especializada em Coolhunting; pós-graduada em Criação de Imagem e Styling de Moda. Interpreta estilo e corpo como plataformas de comunicação e visa expandir o conceito de que “vestir-se bem”, principalmente para as pessoas de pele preta.

Amanda Coelho é mais conhecida como Amanda Diva Green. É cabeleireira e possui 17 anos de experiência no universo capilar. Já trabalhou com artistas como Gaby Amarantos, Tássia Reis, Liniker, Linn Da Quebrada, entre outros. Atualmente, possui um projeto empreendedor onde promove cursos e oficinas com intenção pioneira de valorizar a estética negra para potencializar aspectos da vida para além do profissional.

Cheikh Gueye Seck é estilista do Senegal e está no Brasil há seis anos. Iniciou suas atividades como vendedor ambulante e, em busca de destaque para sua arte, começou a frequentar feiras de exposição e, sonhando com algo maior, surgiu a oportunidade de abrir sua primeira loja “Coração da África”, na praça da República e a recém inaugurada, no bairro de Pinheiros.

Maiwsi Ayana é preta, periférica, produtora criativa e dançarina. Nascida na zona leste de São Paulo, teve seu primeiro contato com o hip-hop bebê ao som dos vinis que sua família ouvia em casa e fortaleceu suas vivências na adolescência através do Break, procurou fazer com que sua cultura se tornasse trabalho, assim estudou e fortaleceu seus conhecimentos em Danças Urbanas. Através da Batekoo vivenciou a cultura do funk paulista e atualmente é dançarina na companhia Afro Oyá.

CONEXÃO POEMA CANÇÃO
O projeto Poema Canção encontra a Semana Afrikanse e traz uma parceria entre a música brasileira e a poesia congolesa.
Essa parceria cruzou os mares e trouxe consigo muito da literatura africana e das canções afro-brasileiras. Com Francois Muleka e Marissol Mwaba (R.D. Congo).
Quando: 24 de novembro
Horário: às 17h (sábado)
Onde: Biblioteca (15º andar)

François Muleka é paulista, filho de congoleses, músico e artista visual. Cantor e compositor, por meio do projeto Faunália, compartilha a experiência de aprender diversos meios de expressão por vias expositivas e de formação. Entre seus trabalhos estão os discos Karibu (2013), Feijão e Sonho (2015), O Limbo da Cor (2016) e Fauno Aflora (2016), em que apresenta composições próprias e parcerias com nomes interessantes da MPB.

Luísa Filho é nascida em Luanda (Angola) e é estudante de Economia na Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis/Brasil.

Aspirante a escritora e poeta nas horas mortas. Vê a poesia como uma linguagem universal, livre e sem estratificação social de ricos pobres ou pobres ricos. No ano de 2016, coordenou as atividades do Núcleo Lev’Arte Brasil.

SARAU AFRIKANSE
Artistas imigrantes africanos reúnem todas suas facetas artísticas profissionais e apresentam no Sarau Afrikanse.
Hábitos e costumes da África, a poética africana desde a sua integra oral, musical escrita e falada. O sarau surge para fortalecer a unidade africana presente na diáspora, assim como também pretendem trazer e expandir a cultura matriz através das suas obras. África do Sul, Angola, Congo, Guiné, Senegal, Togo e outros países africanos…São as diferentes Áfricas que fazem o projeto. Por meio de uma narrativa de desmistificação, desconstrução do imaginário estereotipado, o Sarau Afrikanse quer mostrar a África pelo que de fato é, através da música, poesia e bate-papo.
Com Ermi Panzo (Angola), Yannick Delass (Congo), Shambuyi Wetu (Congo), Chavonga (Angola), Nduduzu (África do Sul) e Gloire Ilonde (Congo).
Quando: 25 de novembro
Horário: às 17h (domingo)
Onde: Praça (Térreo)

Yannick Delass nasceu em Kinshasa (Republica Democratica do Congo) e está em São Paulo desde 2016. O artista aprendeu cedo a cantar no coral da igreja e integrou grupos como FTR Music, Banda da Ilha e África Negra, gravando discos solos e iniciando uma parceria com o instrumentista mineiro Juliano Botti. Se apresentou no Festival Internacional Cacau Jazz (2012), Concerto Luanda Suava e Frenética 2013, Bienal Internacional de São Tomé e Príncipe 2103-2014, Vinte Anos de Gala da TVS (2013) e Festival da Francofonia (2013).

Shambuyi Wetu e seu nome significa “pai de gêmeos”. Está em São Paulo desde 2014 e prefere usar um nome em sua língua, a Gauthier, o nome “francês” que recebeu ao nascer. Refugiado, deixou os gêmeos, hoje com 5 anos, em Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. Eestudou artes na Academia de Beaux-Arts, em Kinshasa. Faz esculturas, pinturas e realizou performances em alguns eventos na cidade de São Paulo: “A cabeça em ebulição” e “Le bagage”.

Nduduzu, artista sul-africana de raízes Zulu, é cantora do espetáculo “Inútil Canto e Inútil Pranto pelos Anjos Caídos”. Integra o Coral USP por meio do projeto “Voz Própria” e desde 2017 realiza shows e apresentações artístico-culturais em São Paulo. Devido a um decreto de expulsão do Ministério da Justiça foi organizada a campanha #NduduzoTemVoz pela permanência de Nduduzo no Brasil. A vitória dela significa uma esperança para milhares de mulheres privadas de liberdade que sonham com algum tipo de ressocialização.

Serviço
SEMANA AFRIKANSE
Quando: de 20 a 25 de novembro de 2018
Horário: às 17h (terça, sábado e domingo) e 19h (quarta, quinta e sexta)
Local: Biblioteca (15º andar) e Praça (térreo) *
Ingressos: Grátis – não é necessário retirar ingressos
Classificação etária: Livre

*Encerramento

SESC AVENIDA PAULISTA
Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo
Fone: (11) 3170-0800

Horário de funcionamento da unidade:
Terça a sábado, das 10h às 22h.
Domingos e feriados, das 10h às 19h.

Horário de funcionamento da bilheteria:
Terça a sábado, das 10h às 21h30.
Domingos e feriados, das 10h às 18h30.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 14/11/2018
  • Fonte: FERVER