Servidores Federais exigem reajuste de 35% no auxílio-alimentação

Servidores Federais cobram R$ 1.350 mensais e ampliação em outros benefícios

Crédito: Agência Senado/Pedro França

A relação entre o governo federal e as entidades que representam o funcionalismo público voltou a ser testada. Em um movimento de unidade e resistência, os servidores públicos federais rejeitaram a proposta apresentada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para o reajuste nos auxílios e protocolaram uma contraproposta mais ambiciosa. O foco central da discórdia está no valor do auxílio-alimentação, peça-chave nas negociações deste ciclo.

Na última quarta-feira, a pasta do governo havia formalizado a oferta de um reajuste de 17,5% no benefício, o que elevaria o valor atual de R$ 1.000 para R$ 1.175 mensais. Contudo, o funcionalismo reagiu de forma incisiva. Em um documento entregue ao Executivo nesta sexta-feira (24), as categorias reivindicaram o dobro do percentual: um reajuste de 35% no auxílio-alimentação.

A contraproposta detalhada dos Servidores Públicos

A contraproposta dos servidores públicos federais busca elevar o auxílio-alimentação para R$ 1.350. Esse aumento de R$ 350 seria dividido em duas etapas, garantindo que o impacto financeiro seja distribuído no tempo:

  • Primeira Parcela: Reajuste de R$ 175, com pagamento a partir de dezembro deste ano.
  • Segunda Parcela: Novo reajuste de R$ 175, a ser implementado em abril de 2026.

O Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), uma das entidades à frente da negociação, considera o pedido “bastante razoável”. Segundo Rudinei Marques, presidente do Fonacate, o gesto “testa a disposição do governo em realmente negociar” os valores em aberto.

O pleito da categoria não se restringe apenas ao auxílio-alimentação. Na mesma contraproposta, os servidores públicos federais também buscaram reajustes em outros benefícios essenciais, a serem pagos a partir de abril do próximo ano:

  • Aumento de 20% no auxílio-creche.
  • Reajuste de 30% na assistência em saúde.
  • Correção nos valores das diárias pagas aos trabalhadores em viagens a serviço.

O compromisso fiscal Versus a recomposição de perdas

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) defende sua proposta de 17,5% no auxílio-alimentação citando o esforço de valorização dentro da realidade orçamentária do país. Em nota, o MGI enfatizou o “compromisso do governo tanto com melhora das condições de vida e trabalho dos servidores, como com a responsabilidade fiscal”.

Qual foi a proposta do MGI para os servidores públicos federais - Divulgação
Qual foi a proposta do MGI para os servidores públicos federais – Divulgação

Segundo a pasta, a elevação do auxílio-alimentação para R$ 1.175 em dezembro resultaria em um reajuste acumulado de 156,55% desde 2023. O Ministério lembrou ainda que, quando o atual governo assumiu, em 2023, o auxílio-alimentação estava congelado havia seis anos, destacando o empenho em recompor o poder de compra da categoria. O impacto orçamentário da proposta do governo é estimado em R$ 1,1 bilhão nas contas de 2026.

Vale ressaltar que, devido a um acordo firmado em 2023, os reajustes salariais escalonados (que incidem sobre a remuneração) já estão definidos até 2026. Por isso, a pauta da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) neste momento está focada exclusivamente nos benefícios e auxílios, como o principal deles, o auxílio-alimentação. A próxima rodada de negociações entre o Executivo e o funcionalismo público já está marcada para o dia 6 de novembro, data em que a expectativa de uma definição se intensifica.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/10/2025
  • Fonte: Fever