Serviços de cartório: 7 em cada 10 brasileiros rejeitam transferência
Pesquisa DataFolha aponta que 70% da população teme burocracia e corrupção caso o modelo atual seja alterado para órgãos públicos ou empresas.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 23/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Sete em cada dez brasileiros manifestam oposição clara a qualquer alteração no modelo atual dos serviços de cartório. A nova pesquisa DataFolha 2025 revela que a população rejeita massivamente a transferência dessas atribuições, seja para prefeituras ou para a iniciativa privada. O levantamento indica que 71% dos entrevistados são contra a estatização, enquanto 70% desaprovam a migração para empresas particulares.
O estudo foi conduzido em cinco capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte — ouvindo cidadãos que utilizaram o sistema recentemente. A resistência tem base no medo. Para a maioria, alterar a gestão traria retrocessos significativos, como o aumento da burocracia e a volta da insegurança jurídica.
Impacto da transferência dos serviços de cartório
A percepção de risco é elevada. Ao analisar a possibilidade de transferir os atos para órgãos públicos, os entrevistados preveem a deterioração do atendimento. O temor é que a mudança resulte no fechamento de unidades em cidades pequenas, dificultando o acesso à cidadania e à documentação básica em regiões vulneráveis.
Quando questionados sobre a substituição por empresas privadas, a preocupação financeira prevalece. A população acredita que essa alteração nos serviços de cartório resultaria, inevitavelmente, em custos mais altos para o usuário final.
Os principais receios apontados no levantamento incluem:
- Burocracia excessiva: Aumento da lentidão nos processos.
- Corrupção: Maior vulnerabilidade a irregularidades.
- Insegurança jurídica: Perda da fé pública garantida por profissionais do Direito.
- Custo elevado: Encarecimento das taxas em um modelo empresarial.
População pede ampliação das atribuições
Embora exista rejeição à mudança de gestão, há um desejo claro por mais conveniência. O DataFolha mostra que 72% dos brasileiros acreditam que o atendimento melhoraria se mais atos fossem incorporados aos serviços de cartório.
A demanda inclui a centralização de documentos como identidade, registros empresariais, requerimentos previdenciários e passaportes. Na visão do cidadão, expandir o modelo atual — fiscalizado pelo Poder Judiciário e operado por concursados — é o caminho mais seguro para a eficiência.
“Atender o cidadão com eficiência, previsibilidade e segurança é o que explica esse resultado. O Cartório é percebido como um serviço que resolve, que funciona e que está disponível em todos os municípios, inclusive nas pequenas cidades, onde muitas vezes é o único ponto de acesso a serviços essenciais.”
— Rogério Portugal Bacellar, presidente da Associação de Notários e Registradores do Brasil (ANOREG/BR).
Bacellar reforça que atos como inventários, divórcios e mudanças de nome já são realizados com mais agilidade e menor custo no sistema atual.
Confiança histórica e digitalização
A resistência à mudança ocorre em um cenário de alta aprovação. Os cartórios permanecem como a instituição mais confiável do país, alcançando nota média de 8,2 — superior à média geral de 6,4 das demais instituições. O índice de confiança máxima (notas 9 ou 10) atingiu 53%, o maior da série histórica iniciada em 2009.
Essa credibilidade é impulsionada pela modernização. Mais de 77% dos usuários percebem avanços na informatização e 69% notam a melhoria na oferta digital. Hoje, os serviços de cartório online já são conhecidos por 80% da população, consolidando a imagem de um setor que alia tradição e tecnologia.
A íntegra dos dados, incluindo gráficos detalhados, está disponível para consulta pública através da ANOREG/BR. Manter a estabilidade e a capilaridade dos atuais serviços de cartório mostra-se, portanto, essencial para atender aos anseios da sociedade brasileira.