Sergio Moro visita Filipe Martins e cobra progressão de pena
O senador Sergio Moro foi criticado por usar regras de progressão penal para tentar politizar as prisões ordenadas pelo STF
- Publicado: 05/07/2026 18:19
- Alterado: 05/07/2026 18:19
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
O senador Sérgio Moro (União-PR) voltou a usar sua influência política para tensionar a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). Neste domingo (5), o parlamentar visitou o ex-assessor especial da Presidência Filipe Martins, condenado pelo STF no âmbito dos inquéritos sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O movimento foi visto por analistas como uma clara tentativa de Moro de inflamar sua base aliada e desgastar a Corte.
Ao deixar o encontro, o ex-juiz da Lava Jato atacou diretamente as decisões do STF e instrumentalizou um debate técnico sobre execução penal para tentar reverter politicamente a situação de aliados presos.
A Manobra Política com a Lei de Execução
Moro tentou focar suas declarações na aplicação de mecanismos de redução e progressão de penas que tramitaram no Congresso Nacional no final de 2025. Segundo o senador, se os prazos de progressão fossem adotados sem a interferência do Judiciário, o ex-assessor já estaria fora da prisão.
No entanto, interlocutores jurídicos apontam o tom oportunista do discurso de Moro. Ao classificar o cumprimento das sentenças do 8 de janeiro como “condições desumanas”, o parlamentar ignora a gravidade das condenações por crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, cujas penas e restrições de benefícios são rigorosamente previstas no ordenamento institucional para a proteção da democracia.
Afronta ao STF nas Redes Sociais
A visita também serviu de palco para Moro criticar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, responsável por decisões que suspenderam a eficácia de emendas penais que afrouxavam punições a crimes de colarinho branco e atos de vandalismo público. Em publicação nas redes sociais, o senador acusou a Suprema Corte de “manter presos injustamente”, repetindo a retórica de enfrentamento institucional que tem marcado seu mandato.
˜A Lei da Dosimetria é de aplicação urgente, ela pelo menos diminui o sofrimento causado por condenações injustas˜, escreveu Moro em um post.
A insistência de Moro em defender condenados do 8 de janeiro é apontada nos bastidores do Congresso como uma guinada estratégica para manter seu alinhamento com a ala mais radical da direita, especialmente em um momento de isolamento político e constantes contestações à sua própria conduta na época em que atuava na magistratura.