Sergio Moro assume liderança do União Brasil no Paraná
Movimento fortalece Moro, que ainda enfrenta resistência em sua sigla para 2026
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
O senador Sergio Moro, representando o União Brasil, anunciou nesta quinta-feira (4) sua nova função como líder do partido no estado do Paraná. A decisão vem após conversações com o presidente nacional da legenda, Antonio Rueda.
Este movimento é considerado uma conquista para Moro, que enfrenta resistência interna em sua própria sigla na busca por viabilizar sua candidatura ao governo paranaense em 2026. No entanto, a mudança não elimina todos os obstáculos que o ex-juiz da Lava Jato deve superar.
Apesar de sua posição favorável nas pesquisas de intenção de voto, Moro se depara com novos desafios, especialmente após a adesão de Paulo Martins ao partido Novo e o avanço na federação entre União Brasil e PP.
Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest e divulgada em 21 de agosto indica que Moro conta com 38% das intenções de voto, um número que o coloca em uma situação relativamente confortável em comparação com seus três principais concorrentes. O vice-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal Paulo Martins, filiado ao Novo, aparece com 8%, enquanto Enio Verri (PT), diretor-presidente da Itaipu e ex-deputado federal, possui 7%. Guto Silva (PSD), atual secretário de Estado das Cidades sob a gestão de Ratinho Junior, registra 6%. Os votos brancos e nulos somam 28%, e 13% dos entrevistados permanecem indecisos.
Historicamente, o controle do União Brasil no Paraná esteve nas mãos da família Francischini. Na mesma data do anúncio, o deputado federal Felipe Francischini apresentou sua renúncia à presidência do partido através de uma carta publicada por Moro nas redes sociais. Na carta, Francischini expressou que estava deixando a posição “com sentimento de missão cumprida” pelos resultados obtidos nas eleições desde 2020, sem mencionar diretamente Moro. O senador, por sua vez, reconheceu o “gesto corajoso e altruísta” do parlamentar.
Moro se filiou ao União Brasil em 2022, quando foi eleito senador. Contudo, enfrentou dificuldades significativas durante as eleições de 2024, contestando a indicação de membros da própria legenda para cargos estratégicos nas cidades paranaenses e solicitando intervenções da liderança nacional do partido.
Na capital paranaense, Moro conseguiu lançar sua esposa como candidata a vice-prefeita. No entanto, a chapa liderada pelo deputado estadual Ney Leprevost (União Brasil) teve um desempenho insatisfatório nas urnas, alcançando apenas 6,49% dos votos válidos e terminando em quarto lugar na disputa vencida pelo grupo liderado por Ratinho Junior e Eduardo Pimentel (PSD).
No primeiro semestre deste ano, Ratinho Junior decidiu substituir o representante do União Brasil no seu primeiro escalão. Essa mudança foi interpretada politicamente como um sinal direcionado ao senador. O deputado estadual Do Carmo assumiu a pasta do Trabalho, substituindo Mauro Moraes, um aliado próximo de Moro.
O Partido Progressista (PP), sob a liderança do deputado federal Ricardo Barros, também mantém filiados em cargos na administração paranaense. Barros exerceu a função de secretário da Indústria na gestão de Ratinho Junior até o início deste ano.
Ainda que haja progressos na formação da federação entre PP e União Brasil no cenário nacional, a colaboração entre os dois partidos no Paraná apresenta complexidades. Barros e Moro não são vistos como aliados naturais.
Além disso, Moro enfrentou uma nova surpresa com a entrada de Paulo Martins na disputa pelo governo estadual. Martins deixou o PL para se candidatar com o apoio do partido Novo, que no Paraná é liderado pelo deputado federal cassado Deltan Dallagnol — ex-procurador da Lava Jato e antigo colega de Moro.
Martins já havia disputado acirradamente com Moro nas eleições para o Senado em 2022 e agora concorre no mesmo espectro eleitoral. Deltan elogiou Martins como um defensor das liberdades e princípios conservadores: “Paulo é alguém que luta pelas nossas liberdades, por princípios cristãos e conservadores. E alguém que é antipetista na mente e no coração”.
Com boas relações pessoais com Ratinho Junior, existem especulações sobre uma possível aliança entre Martins e o PSD na corrida ao Palácio Iguaçu — este último já demonstrou interesse em apresentar um candidato próprio para as eleições estaduais.