Será o fim da linha para as bugigangas baratinhas?
Em meio à disputa tarifária entre Brasil e EUA, o impacto das novas taxações recai sobre o consumidor comum, aquele que só queria seguir comprando seus produtos baratos sem culpa
- Publicado: 26/01/2026
- Alterado: 10/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Maria Clara e JP
Acordei com a seguinte notícia: Trump, aquele mesmo, laranja e reincidente, resolveu que vai taxar em 50% tudo que vem do Brasil. E, como resposta, Lula ameaçou fazer o mesmo. Pronto, acabou a paz mundial e, pior, acabou meu carrinho da Shopee.
Veja bem, não estou aqui pra defender ou atacar presidentes. Nem o deles, nem o nosso. Só sei que, de repente, meu alicate de unha de 10 reais, com frete grátis e brinde surpresa, virou artigo de luxo. Aquele tripé torto que eu comprei no Aliexpress, só pra tirar foto de planta, agora custa quase o mesmo que um jantar no shopping. E a Temu? Meu Deus, a Temu… a nova queridinha do brasileiro pobre, mas com senso estético. Já fui mais fiel a ela do que aos boletos.
A questão é simples: a gente compra nessas plataformas porque o Brasil, esse país tropical abençoado por Deus e explorado por tudo e todos, não facilita pra quem quer gastar pouco. O fone de ouvido que custa 19,90 no camelô e dura duas semanas, custa 9,90 na Shopee e dura as mesmas duas semanas. A escolha é lógica. Ou era.
Agora vem Trump com sua caneta afiada e seu senso zero de empatia com o consumidor global. Me pergunto se ele já ficou com a blusa encharcada porque a capa de chuva do Mercado Livre custava 35 e a da China, 8. Se já ficou na mão por causa de um suporte de celular vagabundo que não aguenta o GPS do Waze. Acho que não. A vida de Trump deve ter muito ouro, muito cabeleireiro e zero boleto vencido.
E Lula? Ah, Lula também resolveu retaliar. E eu fico aqui, no meio desse tiroteio diplomático, segurando meu desejo por uma ring light que pisca em RGB.
A verdade é que quem se ferra nessa guerra comercial não é a multinacional, não é o agro, não é o banqueiro. É a manicure que comprava strass no Aliexpress. É o técnico de celular que comprava ferramenta na Temu. É a mãe solo que fazia a festa do filho com enfeite da Shopee. É você, sou eu, é todo mundo que, com 20 reais, virava empreendedor.
De repente, economizar virou crime. Querer pagar mais barato virou motivo de punição. E o consumidor brasileiro, que já é sobrevivente profissional, vai ter que encontrar outro jeitinho. Porque desistir, a gente não vai. Talvez a solução esteja em voltar pro escambo. Troco duas canecas de emoji por um carregador turbo. Quem dá mais?
Enquanto isso, sigo aqui, olhando pro carrinho cheio e o cartão vazio. Esperando um milagre. Ou um novo presidente, de preferência, que nunca tenha sido dono de cassino.
Ghretta Pasuld
Ghretta é jornalista por essência e servidora por missão. Formada em Jornalismo pela UMC e tecnóloga em Gestão Pública pela UMESP, construiu uma trajetória sólida ao longo de mais de duas décadas entre redações e instituições públicas.
Na Câmara Municipal de Santo André, foi protagonista na comunicação institucional: assinou a Assessoria de Imprensa e esteve à frente da TV Câmara, onde deu voz e forma ao cotidiano legislativo, aproximando a política da população com sensibilidade e precisão. Também brilhou como colunista social, revelando sua habilidade em narrar os encontros da vida com leveza e elegância.
Ghretta, é roteirista ABC Cast, o podcast de notícias do portal ABCdoABC, contribuindo para dar forma às edições que combinam informação, opinião e prestação de serviço de forma leve e relevante para o público regional.
Com um olhar que busca significado nas entrelinhas, Ghretta transita entre a técnica e a poesia, sempre movida pela crença de que a palavra tem o poder de aproximar mundos e construir pontes.