Senador e deputado vão chefiar a CPI do INSS

Carlos Viana presidirá CPMI do INSS, com Alfredo Gaspar como relator

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A recente derrota do governo Lula resultou em uma significativa mudança na liderança da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O senador Carlos Viana, do Podemos-MG, foi escolhido para presidir a comissão, enquanto o deputado federal Alfredo Gaspar, do União Brasil-AL, assumiu a relatoria.

Alfredo Gaspar, um ex-chefe do Ministério Público de Alagoas que atuou em duas gestões consecutivas entre 2017 e 2020, se tornou uma figura central na oposição em questões jurídicas. A sua indicação para a CPMI é vista como uma estratégia da oposição, especialmente considerando seu papel no debate sobre a anistia aos envolvidos nos eventos de 8 de janeiro de 2023, o que pode potencialmente beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Recentemente, Gaspar teve um papel decisivo ao relatar um recurso que suspendeu a ação penal contra Alexandre Ramagem (PL-RJ), ex-diretor-geral da Abin e implicado em investigações relacionadas à tentativa de golpe. Contudo, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) limitou os efeitos dessa manobra legal apenas a uma parte das acusações contra Ramagem.

Em 2020, Gaspar disputou a prefeitura de Maceió com apoio do atual ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), mas foi derrotado na disputa. Desde então, ele mudou sua orientação política, alinhando-se com o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), um rival histórico da família Calheiros em Alagoas.

Por sua vez, Carlos Viana busca consolidar sua posição no Senado com vistas à reeleição em 2024. O senador teve um desempenho insatisfatório em suas últimas candidaturas — incluindo uma para o governo de Minas Gerais em 2022 e outra para a prefeitura de Belo Horizonte em 2024 — ambas resultando em colocações distantes do esperado. Desde sua entrada no Senado em 2018, Viana tem mudado frequentemente de partido na busca por maior influência política.

Embora faça parte da oposição ao governo Lula, Viana é frequentemente percebido como um parlamentar moderado e discreto. Uma de suas contribuições notáveis até agora foi a criação de uma bancada evangélica focada em pautas como o combate ao aborto e a regulamentação de drogas e jogos de azar.

A formação desta nova liderança na CPMI foi possível graças a negociações políticas entre o PL de Bolsonaro e a federação formada pelo União Brasil e Progressistas, que detêm quatro ministérios no governo atual. A escolha original para a presidência da CPMI era Omar Aziz (PSD-AM), que pertence à base governista; no entanto, Viana conseguiu derrotá-lo por 17 votos a 14.

Após sua vitória, Carlos Viana anunciou Alfredo Gaspar como relator da comissão. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-TO), havia anteriormente indicado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para o mesmo cargo. Essa configuração reflete as tensões políticas atuais e as estratégias adotadas por diferentes grupos dentro do cenário político brasileiro.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 21/08/2025
  • Fonte: Fever