Senado do Paraguai nega prazo extra para defesa de Peña
Senado do Paraguai rejeita pedido de 72 horas de Peña por 39 votos a 3 e mantém processo de impeachment; presidente deve apresentar defesa nesta sexta (6)
- Publicado: 06/11/2026 13:44
- Alterado: 06/11/2026 13:44
- Autor: Carlos Enriki
O Senado do Paraguai rejeitou, nesta sexta-feira (6), o pedido do presidente Santiago Peña para adiar em 72 horas sua defesa no processo de impeachment. A solicitação recebeu 39 votos contrários e três favoráveis. Com a decisão, o julgamento político segue em andamento, e o presidente permanece no cargo enquanto o Congresso analisa o caso.
Peña havia solicitado mais tempo para preparar sua defesa após receber uma acusação de 15 páginas acompanhada de aproximadamente 300 páginas de documentos anexos. Segundo o presidente, a notificação chegou na noite de quinta-feira (5), poucas horas antes da sessão parlamentar.
Os senadores determinaram que Peña deveria comparecer às 12h10, no horário local, para apresentar seus argumentos. Após a defesa, o Legislativo deve analisar as provas e ouvir as manifestações finais das partes antes de votar o processo.
Renúncia de Santiago Peña não foi formalizada
Na quinta-feira (5), Peña anunciou que deixaria a Presidência do Paraguai em meio à crise política e bancária que atinge o país. A renúncia, porém, não foi aceita pelo Congresso.

Uma sessão conjunta das duas casas legislativas chegou a ser convocada para analisar o pedido, mas acabou suspensa por falta de quórum. Parlamentares do governista Partido Colorado deixaram o plenário, impedindo a continuidade da votação.
Na sequência, o processo de impeachment avançou. A Câmara dos Deputados aprovou a acusação contra Peña por 78 votos, encaminhando o caso ao Senado, responsável pela análise e decisão final.
Processo pode resultar no afastamento do presidente
O procedimento de impeachment segue as regras previstas na Constituição paraguaia. Para afastar definitivamente o presidente, são necessários pelo menos 30 votos favoráveis entre os 45 integrantes do Senado, o equivalente a dois terços da Casa.
A situação de Peña permanece indefinida enquanto os parlamentares analisam as acusações e a defesa apresentada pelo presidente.
Crise do Ueno Bank motivou acusações
A crise política está relacionada ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que teve suas operações interrompidas após o Banco Central do Paraguai identificar problemas nos índices mínimos de solvência.
O banco tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, que ficaram sem acesso a serviços financeiros. A instituição também concentrava recursos públicos, o que ampliou a repercussão do caso.

As acusações contra Peña envolvem possíveis conflitos de interesse relacionados à sua antiga participação no grupo controlador do banco, além de questionamentos sobre decisões regulatórias e a concentração de recursos previdenciários na instituição.
Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025. As denúncias são objeto de apuração e ainda precisam ser examinadas pelas autoridades competentes.
O presidente afirma que pretende exercer seu direito de defesa e colaborar com as investigações.