Seminário celebra Dia da Consciência Negra

Durante evento no Teatro Elis Regina foi debatido o comprometimento da gestão pública quanto às políticas de direitos para a população negra brasileira

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Para celebrar o Dia da Consciência Negra em São Bernardo do Campo, cerca de 200 pessoas participaram do seminário “Diálogos Afirmativos: Desafios da década afrodescendente”, ocorrido nesta quinta-feira (20), no Teatro Elis Regina, e que debateu, entre outros assuntos, sobre o comprometimento da gestão pública quanto às políticas de direitos para a população negra brasileira.

O evento contou com a participação do secretário de Serviços Urbanos, Tarcísio Secoli, que representou o prefeito, além das secretárias de Saúde, Odete Gialdi, e de Desenvolvimento Social e Cidadania, Marcia Barral. Também participou da mesa de abertura a diretora executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Ana Nice Martins de Carvalho.

A abertura do debate foi feita pela secretária de Saúde, que falou sobre a criação, em 2010, do grupo intersetorial que atua na rede municipal de Atenção Básica. Ela explicou que a responsabilidade do grupo é desenvolver conjunto de ações que previnem a população negra de doenças que atingem boa parte dessa parcela da população, como a doença falciforme, hipertensão e diabetes.

Fernanda Lopes, doutora em saúde pública pela Universidade de São Paulo (USP), e Muryatan Barbosa, doutor em História da África pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, foram os convidados para compor a mesa. A mediação foi realizada pela apoiadora do Ministério da Saúde/Rede Cegonha para o Estado de São Paulo Luciana Barros.

ACESSO PÚBLICO — Segundo Fernanda Lopes, que também é representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, existem diferentes formas de promoção dos direitos em uma sociedade, e que o primeiro deles é o acesso público do cidadão a informações que estejam corretas e com linguagem adequada.

“Hoje, é muito importante que as pessoas conheçam os seus direitos, pois não há como reivindicar se não conhecê-los. Se você não se vê como um sujeito de direito, não vai poder exigir de quem está tomando as decisões ou prestando algum tipo de serviço para que cumpram suas obrigações. Esses elementos são fundamentais para a população”, afirma.

Muryatan, professor de História, disse que foi “uma honra” participar do debate e falou que eventos como esse ajudam a criar um Brasil mais democrático. “Foi-se o tempo em que a gente entendia o problema racial como problema específico, particularmente da agenda pública. Hoje, felizmente, temos a consciência de que tratar o problema do negro é tratar o problema do próprio País”, finaliza.

O seminário, realizado pela Secretaria de Saúde, fez parte da programação desenvolvida pela Prefeitura de São Bernardo do Campo para comemorar o Mês da Consciência Negra.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/11/2014
  • Fonte: FERVER