Sem Messi e CR7, Neymar tem caminho livre para ser ‘o cara’ da Copa

Atacante luta para ser decisivo no mata-mata do Mundial da Rússia. Tite avalia que Neymar recuperou seu auge físico e exalta esforço do jogador; para Thiago Silva “será o jogo do Neymar

Crédito: Lucas Figueiredo/CBF

Neymar tem caminho aberto para assumir o protagonismo que tanto anseia na Copa da Rússia e subir degraus na hierarquia do futebol mundial nesta fase de oitavas de final. Coadjuvante e sempre à sombra de Cristiano Ronaldo e Messi na festa da Fifa que os elegeu o melhor do planeta em 2015 e 2017, respectivamente – Neymar foi apontado como o terceiro colocado em ambas –, o atacante da seleção brasileira agora se vê distante dos seus principais concorrentes (Argentina e Portugal foram eliminados nas oitavas) na briga para ser o dono da Copa.

A distância para os rivais não é técnica, mas espacial e momentânea. Afinal, enquanto o português e o argentino não conseguiram levar suas respectivas seleções além das oitavas, Neymar tem nesta segunda-feira a possibilidade de superar o desempenho deles, a partir das 11h (de Brasília), quando o Brasil enfrenta o México, na Arena Samara, naquela que pode ser vista como grande chance de ele mostrar uma nova fase.

Só passar das oitavas, evidentemente, não será suficiente para Neymar e a seleção. Mas é o primeiro passo após uma primeira fase de turbulências, polêmicas e evolução do jogador, que há um ano trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain em uma transação milionária com a intenção de andar com as próprias pernas na Europa. Neymar colocou a Copa da Rússia em seu roteiro mais curto e marcante para se consagrar como o melhor jogador do planeta.

No entanto, ainda que com a despedida precoce de Cristiano Ronaldo e Messi, Neymar não está sozinho nesta corrida individual. Harry Kane vem liderando a Inglaterra – é o artilheiro do torneio com cinco gols. E Lukaku e Hazard têm se destacado na Bélgica – os três são bons concorrentes, embora estejam degraus abaixo da qualidade técnica do brasileiro. Além disso, o francês Mbappé e o uruguaio Cavani, colegas de Neymar no PSG, marcaram dois gols cada no sábado e conduziram suas seleções às quartas de final de forma brilhante.

GRANDE DIA
“Quando acabaram os dois jogos de sábado, fiquei com esse mesmo pensamento na cabeça. Que o nosso jogo será o do Neymar também. Os dois (Mbappé e Cavani) foram fundamentais nas vitórias das suas equipes”, disse Thiago Silva, com a experiência de quem joga ao lado de Neymar na seleção e no PSG. “A seleção está equilibrada. Tem o momento certo dos atacantes aparecerem. A gente espera que seja um grande dia e que o Neymar esteja inspirado como os outros”, acrescentou.

Se os principais rivais ficaram para trás, a caminhada de Neymar, que ainda precisa de quatro triunfos e muito protagonismo, vem sendo construída com alguns percalços – o principal deles foi a cirurgia no pé e os três meses de recuperação. Na Rússia, já teve alguns problemas, como contra a Suíça, quando abusou do individualismo e sofreu dez faltas. Diante da Costa Rica, se enfureceu com o pênalti marcado e anulado pelo VAR. Mas ganhou confiança com o primeiro gol. Chorou e atacou seus críticos nas redes sociais. Esse alto e baixo tem sido sua marca na Copa. Nas duas primeiras partidas, foi notado menos por seu futebol e mais pela irritação em campo. Contra os costa-riquenhos, afrontou tanto o juiz que recebeu amarelo após atirar a bola contra o gramado.

AUGE
Tite já declarou repetidas vezes que só esperava ver Neymar atingir o seu auge físico a partir do terceiro duelo do Brasil na Copa do Mundo e acredita que acertou nesta sua avaliação. Neste domingo, na véspera do quarto compromisso da seleção na Rússia, o confronto com o México pelas oitavas de final, o treinador destacou a evolução do jogador e apontou que o atacante recuperou o seu nível máximo.

“Jogou muito, jogou demais (contra a Sérvia). Eu falei para ele, ele sabe, nós sabemos o preço que ele pagou para chegar e retomar esse nível. Ele retomou o nível máximo dele, jogou muito. Baixou para ajudar a marcar lateral, teve transição precisa e finta em lance individual. Agora, sim, retomou seu alto nível”, afirmou.

“Monitoramos todos os treinamentos, velocidade máxima, distância percorrida. Após os jogos, tenho todos esses dados. Foi havendo evolução, com alguns momentos ele já tendo média superior por vezes aos seus companheiros. Ele já está perto ou na sua plenitude. Essa evolução nos deixa feliz porque o trabalho realizado o fez crescer na competição. Espero que ele continue evoluindo cada vez mais”, projetou o preparador físico da seleção.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/07/2018
  • Fonte: Sorria!,