Selic mantida em 15%: Copom foca na meta de inflação
Decisão unânime do Banco Central visa alinhar expectativas de inflação, apesar da pressão do governo.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: PMM
A Selic permanece em 15% ao ano. Esta foi a decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) na sua última reunião, realizada em 5 de outubro. O mercado já antecipava a manutenção, que reflete a estratégia da autarquia de segurar os juros neste patamar até que as expectativas inflacionárias convirjam para o centro da meta de 3%.
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A estratégia do Copom para conter a inflação
Em comunicado oficial, o BC defendeu que a manutenção da Selic é a estratégia coerente para garantir a convergência da inflação e estabilizar os preços. Embora o foco seja o controle inflacionário, o Copom afirmou que a medida também busca minimizar flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
O comitê avalia que o cenário atual exige cautela devido a “incertezas significativas”. A avaliação interna é que manter a taxa básica de juros, a Selic, elevada por um período prolongado será suficiente para assegurar que a inflação se dirija à meta estabelecida. O BC reafirmou que monitora a situação e não hesitará em ajustar a política se necessário.

Inflação acima da meta e o histórico recente
A taxa Selic atingiu os 15% em junho, após um ajuste de 0,25 ponto percentual. Desde então, as reuniões de julho e setembro também resultaram em manutenção. A decisão se apoia em diversos fatores: projeções de inflação que permanecem distantes da meta, preocupações com o cenário fiscal, sinais de uma economia aquecida e instabilidades no cenário geopolítico.
Mesmo com alguma melhora nas expectativas do Boletim Focus — que projeta a inflação em 4,55% este ano e 4,96% em 2025 (acima do teto da meta) — o Copom olha para frente.
A análise do Comitê considera que o impacto da política monetária leva, em média, seis meses para ser sentido na economia real. Por isso, a preocupação se concentra nos anos seguintes: as projeções indicam inflação de 4,20% em 2026 e 3,80% em 2027, ambos os valores acima do centro da meta de 3%. Mesmo para 2028, a previsão é de 3,50%.
Pressão do governo pela redução dos juros
A manutenção da taxa básica de juros não agrada ao governo federal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tornou-se o principal porta-voz dessa insatisfação com a condução da política monetária, atualmente chefiada por Gabriel Galípolo no Banco Central.
Haddad declarou recentemente que, se estivesse no lugar dos diretores do BC, “votaria pela redução da Selic”. Durante falas em São Paulo e no Ministério da Fazenda, o ministro fez questão de ressaltar que, embora respeite a autonomia institucional da autarquia, considera necessário discutir abertamente o atual patamar elevado da Selic.