Selic a 15% limita investimentos e torna crédito inacessível
Na semana da decisão do Copom, mercado prevê Selic mantida em 15% ao ano; Simpi alerta para sufoco dos pequenos empreendedores
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 17/09/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Na semana em que o Copom define a nova taxa básica de juros, o mercado projeta a manutenção da Selic em torno de 15% ao ano. Analistas avaliam que a taxa poderá seguir nesse nível por um período prolongado, com cortes apenas a partir de 2026, dependendo das condições macroeconômicas.
O cenário da Selic, que para o governo representa estabilidade no controle da inflação, tem outro significado para micro e pequenas indústrias: o de travar investimentos, reduzir competitividade e ameaçar a sobrevivência de milhares de negócios.
Peso insustentável para pequenos negócios

Segundo Joseph Couri, presidente do Simpi Nacional (Sindicato da Micro e Pequena Indústria), os juros atuais da Selic são insustentáveis para empreendedores de menor porte. Mesmo com linhas de crédito de bancos públicos, o custo final se torna proibitivo: “Qualquer centavo é muito dinheiro para quem precisa manter sua empresa funcionando. O acesso existe, mas os juros inviabilizam a tomada de crédito, sobretudo para os pequenos empreendedores”, afirma.
Ele alerta que a dificuldade de financiar capital de giro ou adquirir equipamentos compromete diretamente a capacidade de gerar empregos e inovar, ampliando a desigualdade entre grandes corporações e pequenos negócios.
Consórcios como alternativa paliativa
Diante desse ambiente restritivo, consórcios passaram a ganhar espaço como alternativa de financiamento mais acessível. O Simpi firmou parceria com a Unifisa para oferecer taxas de administração reduzidas a associados, possibilitando a compra de máquinas e serviços a custos menores que os dos empréstimos tradicionais.
Ainda assim, Couri ressalta que essas medidas não substituem uma política monetária mais equilibrada: “O Brasil precisa de crédito mais acessível para estimular inovação e produtividade. Manter a Selic nesse patamar sufoca o pequeno empresário, trava o crescimento e gera efeitos colaterais que atingem o emprego e a arrecadação do Estado”, conclui.