Sedentarismo na adolescência preocupa cardiologistas
Sedentarismo entre adolescentes preocupa médicos por riscos de doenças cardíacas futuras, obesidade, hipertensão e diabetes tipo 2 na vida adulta
- Publicado: 23/10/2026 13:36
- Alterado: 23/10/2026 13:36
- Autor: Carlos Enriki
O sedentarismo entre adolescentes preocupa especialistas: mais de 80% dos jovens em todo o mundo não praticam atividade física suficiente para manter a saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade recomenda pelo menos 60 minutos diários de atividade física para crianças e adolescentes.
A inatividade física também está entre os fatores de risco para doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e obesidade, de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). Pessoas sedentárias apresentam risco de morte entre 20% e 30% maior do que aquelas que mantêm níveis adequados de atividade física.
Diante desse cenário, a cardiologista Fernanda Douradinho alerta para a importância de estimular hábitos saudáveis ainda na infância. Segundo a especialista, o sedentarismo nessa fase pode afetar a saúde no presente e aumentar o risco de problemas na vida adulta.
“O sedentarismo na infância e na adolescência pode ter consequências que acompanham o indivíduo até a vida adulta. A falta de atividade física favorece o ganho de peso, o aumento da pressão arterial, alterações do colesterol e maior risco de resistência à insulina e diabetes”, explica.
sedentarismo na juventude influenciam a saúde adulta
Os hábitos adquiridos na infância e na adolescência tendem a acompanhar o indivíduo ao longo da vida. Por isso, jovens que não praticam atividades físicas podem chegar à idade adulta com fatores de risco para doenças cardiovasculares.
Entre os pontos que preocupam os especialistas estão o aumento do tempo diante das telas, a redução das atividades ao ar livre, a piora da qualidade do sono e o consumo frequente de alimentos ultraprocessados.
“O que mais preocupa é observarmos cada vez mais cedo fatores de risco que antigamente eram associados principalmente aos adultos. Crianças e adolescentes podem apresentar excesso de peso e obesidade, pressão arterial elevada, alterações do colesterol, resistência à insulina e até diabetes tipo 2”, afirma Fernanda.
Doenças cardiovasculares podem começar antes dos sintomas
Embora infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e outras complicações sejam mais frequentes em pessoas mais velhas, os fatores que contribuem para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares podem surgir muito antes dos primeiros sintomas.
A cardiologista destaca que as mudanças no estilo de vida das novas gerações merecem atenção, especialmente diante da combinação de mais tempo de tela, menos brincadeiras ao ar livre, alimentação inadequada e alterações no sono.

Para a especialista, a prevenção do sedentarismo depende da incorporação de hábitos saudáveis à rotina familiar. Incentivar crianças e adolescentes a se movimentarem diariamente, praticarem esportes, brincarem ao ar livre e reduzirem o tempo sedentário diante das telas são medidas importantes para cuidar da saúde cardiovascular.
Sobre Fernanda Douradinho
Fernanda Douradinho da Rocha Silva é médica cardiologista, formada em 2007 pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, atual Centro Universitário Lusíadas. Realizou residência em Clínica Médica entre 2008 e 2010 e em Cardiologia entre 2010 e 2012, no Hospital Ana Costa, em Santos.
Possui título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia desde 2013. Atua como médica diarista nas Unidades de Terapia Intensiva de Cardiologia do Hospital Guilherme Álvaro, onde também coordena a UTI cardiológica. É professora da disciplina de Urgência e Emergência da Faculdade de Medicina da UNAERP e mantém consultório na Avenida Ana Costa, em Santos.