Secretário e agentes da GCM de Ribeirão Pires são condenados por furto a açougues
Crimes ocorreram em 2018 e envolveram desvio de câmeras, denúncia falsa e subtração de dinheiro e carne em dois comércios no centro da cidade
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 17/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O secretário de Segurança Pública de Ribeirão Pires, Sandro Torres Amante, foi condenado a 2 anos e 11 meses de prisão por furto qualificado, decisão proferida em 2ª instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A condenação se deu após o Ministério Público ter denunciado seis indivíduos por crimes de furto e formação de milícia privada.
O delito ocorreu em junho de 2018, quando Sandro ocupava o cargo de subcomandante da Guarda Civil Municipal (GCM) de Ribeirão Pires. Além dele, outros dois membros da GCM, Gutembergue Martins Silva e Marcelo Cruz Dallavali, também foram condenados pelo mesmo crime. Enquanto a Justiça determinou a perda dos cargos públicos dos condenados, Sandro ainda permanece em seu posto devido a um recurso que está sendo analisado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Operação premeditada envolveu manipulação de câmeras e denúncia falsa
De acordo com as investigações, na madrugada do dia 18 de junho de 2018, o grupo perpetrava furtos em dois açougues localizados no centro da cidade. Em uma operação orquestrada, foram subtraídos cerca de 60 kg de carne e R$ 28 mil. O primeiro estabelecimento teve itens como picanha e contrafilé roubados, juntamente com dinheiro e um cofre. Já no segundo açougue, os criminosos levaram uma quantidade significativa de carne bovina e cheques.
As investigações indicaram que os delitos foram premeditados. Relatos apontam que Gutembergue manipulou as câmeras de segurança para desviar a atenção dos açougues durante o crime. Além disso, foi registrado que uma denúncia anônima falsa foi realizada para deslocar as forças da GCM e da Polícia Militar para longe do local dos furtos.
Com aproximadamente 115 mil habitantes, Ribeirão Pires possui uma GCM composta por 120 agentes sob o comando do secretário Sandro. Em declaração à TV Globo e ao g1, Sandro afirmou ser inocente das acusações e questionou a existência de evidências sobre a venda de segurança privada na região.
A condenação foi ratificada pela 5ª Câmara de Direito Criminal do TJ em janeiro deste ano, reconhecendo provas suficientes como boletins de ocorrência e imagens captadas nas câmeras municipais. Os acusados agora tentam reverter essa decisão no STJ.
Além das acusações por furto, o Ministério Público também identificou indícios que sugerem a formação de milícias privadas entre os envolvidos. A investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) revelou que os GCMs denunciados estariam organizando atividades ilícitas junto a empresas de segurança legalizadas.
A prática teria como objetivo extorquir comerciantes sob a ameaça da própria criminalidade cometida pelo grupo. O procurador Nadir Campos Júnior destacou que as evidências apresentadas ligam Sandro a outros delitos, incluindo corrupção passiva associada ao tráfico de drogas.
As investigações sobre possíveis milícias dentro da GCM ainda estão em andamento. Algumas testemunhas relataram temores em fazer denúncias públicas devido ao receio de represálias. Uma das fontes mencionou práticas corruptas envolvendo membros da guarda que operavam isoladamente em situações perigosas.
A Prefeitura reafirmou sua disposição para fornecer esclarecimentos sobre o caso e reiterou que Sandro é um funcionário público com longa trajetória na instituição.