Secovi-SP reúne lideranças do setor imobiliário no ABC
Encontro da Secovi na ACIGABC debate mercado, legislação urbana e reforma tributária
- Publicado: 15/04/2026 13:23
- Alterado: 15/04/2026 13:39
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: ABCdoABC
Lideranças do setor imobiliário paulista, presidentes do Secovi-SP, participaram de um encontro na sede da ACIGABC, no Grande ABC, com foco na troca de informações, análise de cenário e articulação entre entidades, empresas e poder público. O evento reuniu representantes do setor da construção, incorporadores, dirigentes de entidades e secretários municipais das cidades da região.
Durante a abertura, foi destacada a presença de representantes de diferentes municípios e a importância da integração regional. “Hoje é um dia de muita conversa, um dia atribuído, vamos realmente conhecer um pouco dessas pessoas, vamos conhecer um pouco o que o Secovi tem feito e o que planeja fazer”, afirmou José Julio Diaz, presidente da ACIGABC.
Também foi ressaltado o papel das entidades na interlocução com o poder público e na busca por melhorias para o ambiente de negócios. A presença de secretários municipais foi mencionada como estratégica para alinhar políticas urbanas e de desenvolvimento.
Desafios do mercado imobiliário
O novo presidente do Secovi-SP, Jorge Cury Neto, apresentou um panorama do setor e destacou a importância de dados e previsibilidade para o mercado.
Ele apontou mudanças significativas no perfil do mercado nos últimos anos, com crescimento expressivo do segmento econômico. Segundo dados apresentados, programas habitacionais passaram a ter maior participação nas vendas.
“Hoje nós estamos em 65%”, afirmou ao se referir à fatia do mercado ocupada por empreendimentos voltados a esse público.
O dirigente também destacou a pressão sobre a classe média, impactada por juros elevados e redução do poder de compra. “A gente que constrói para a classe média tem sentido que o poder aquisitivo e os preços não estão subindo”, declarou.
Legislação urbana e planejamento

Outro ponto central do encontro foi o debate sobre legislação urbanística e planos diretores. Representantes do setor destacaram a necessidade de regras mais alinhadas entre municípios para dar previsibilidade aos investimentos.
“Seria tentar uma padronização da legislação entre todas as cidades do estado de São Paulo, para que as empresas tenham um pouquinho mais de previsibilidade”, afirmou Jorge Cury Neto.
No contexto regional, lideranças do ABC ressaltaram o momento de revisão dos planos diretores, especialmente em cidades como São Bernardo do Campo e Santo André. A expectativa é que as novas regras possam estimular o desenvolvimento urbano e ampliar a oferta de moradia.
“Nós estamos debatendo e estamos muito próximos às prefeituras e acredito que vai ser um belo incremento para nós, construtores”, afirmou Milton Bigucci Junior, diretor regional do Secovi.
Impactos da reforma tributária
A reforma tributária foi outro tema abordado no encontro, com avaliações críticas sobre os efeitos no setor imobiliário. Representantes do Secovi-SP afirmaram que o modelo aprovado traz desafios operacionais e aumento de complexidade.
“É um horror para o setor imobiliário”, afirmou Ely Wertheim, Presidente executivo do Secovi, ao comentar o novo sistema.
Apesar das críticas, foi ressaltado que houve avanços pontuais durante a tramitação. Um exemplo citado foi a revisão das regras para tributação de locações.
“Chegamos a 80% de desconto, desta forma a locação parece que vai ficar da forma que está hoje”, disse Jorge Cury.
Ainda assim, o setor demonstra preocupação com a implementação das novas regras e a falta de regulamentação detalhada.
Cenário econômico e investimentos
Durante o encontro, também foram apresentados dados sobre o volume de produção habitacional no Brasil e no estado de São Paulo. Segundo informações citadas, o país produz cerca de 420 mil unidades habitacionais por ano, com forte participação paulista.
O fluxo de investimentos estrangeiros também foi mencionado como fator relevante para o mercado. De acordo com os participantes, recursos externos têm buscado o Brasil como alternativa de segurança, impactando positivamente o setor.
Atuação das entidades e articulação política
As entidades de classe foram apontadas como fundamentais na defesa dos interesses do setor. A atuação junto a governos, Congresso e órgãos reguladores foi citada em diferentes momentos do encontro.
“Entidades de classe serve para isso. Para lutar e pôr a cara pelo setor”, afirmou José Julio Diaz.
Entre as pautas em andamento estão discussões sobre garantias de obras, normas técnicas, legislação de carregamento de veículos elétricos e regras de segurança em edificações.
Também foi mencionada a atuação para tentar reverter medidas consideradas prejudiciais, como limitações regulatórias e decisões judiciais que impactam licenciamentos.
Custos da construção e desafios operacionais
O aumento de custos na construção civil foi destacado como um dos principais desafios atuais. Representantes do setor relataram dificuldades com insumos e contratos, especialmente no fornecimento de concreto.
“Não dá para transferir um aumento de 10%… sem justificativa”, afirmou Frederico Cesar, vice-presidente do Secovi-SP, ao comentar reajustes recentes.
Além disso, foram citados problemas relacionados à mão de obra e à relação com concessionárias de serviços públicos, considerados gargalos operacionais para o avanço de obras.
Perspectivas para o setor
O encontro foi encerrado com espaço para perguntas e debates entre os participantes, abordando temas como mudanças na jornada de trabalho e impactos no setor produtivo.
Representantes do Secovi-SP informaram que acompanham as discussões em Brasília e atuam para mitigar possíveis efeitos negativos. “Estamos tentando criar uma contenção de danos sobre isso”, afirmaram.
Ao longo do evento, foi reforçada a importância da articulação entre setor privado e poder público, além do papel estratégico das entidades na construção de políticas para o desenvolvimento urbano e habitacional.