SCS fecha dezembro com saldo negativo de 1.164 empregos formais

Município registrou saldo negativo de empregos no último mês do ano, mas desempenho superou 2024

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Empregos formais em São Caetano do Sul apresentaram um comportamento ambivalente ao longo de 2025. No balanço consolidado de janeiro a dezembro, a cidade comemorou a criação de 2.879 novas vagas com carteira assinada. No entanto, o mês de dezembro isoladamente seguiu a tendência sazonal de retração, fechando com um saldo negativo de -1.164 postos, resultado de 4.015 admissões frente a 5.179 desligamentos.

Apesar do recuo no último mês, o resultado foi superior ao registrado em dezembro de 2024, quando o município perdeu 1.469 postos. Essa diferença positiva de 305 vagas sinaliza uma resistência maior da economia local frente aos desafios macroeconômicos. Atualmente, o estoque total da cidade é de 120.189 trabalhadores formais.

Setor de serviços lidera perdas de profissionais com ensino superior

O setor de Serviços, que detém a maior fatia dos empregos na cidade (62,77% do total), registrou um saldo de -465 postos em dezembro. O dado que mais preocupa analistas é o perfil das demissões: o saldo negativo concentrou-se em mulheres e profissionais com ensino superior completo, na faixa dos 30 a 39 anos.

Para o professor Bruno Castro, há um “preocupante desalinhamento” na retenção de talentos. “Perder profissionais qualificados em sua fase de maior produtividade sinaliza uma ineficiência na alocação de capital humano. A alta rotatividade impede que o aprendizado se transforme em ganho sistêmico”, alerta o especialista. O tempo médio de permanência dos desligados no setor foi de 15 meses.

Indústria e Construção Civil enfrentam maior volatilidade

A Indústria apresentou o dado mais crítico sob a ótica da estabilidade. Embora tenha o menor volume de demissões em números absolutos, o setor registrou o maior tempo médio de casa entre os desligados: 28,7 meses. Isso significa que a cidade está perdendo conhecimento técnico acumulado que não se repõe rapidamente. As ocupações mais afetadas foram ajustadores mecânicos e alimentadores de linha de produção.

Já a Construção Civil sofreu a variação relativa negativa mais acentuada do período (-3,10%), com a perda de 422 empregos. O setor reflete a volatilidade do custo de crédito e do investimento real, com um tempo de retenção de apenas 10 meses. Caldeireiros, serralheiros e montadores de estruturas lideraram os desligamentos no setor.

Comércio e o impacto dos juros no consumo

No Comércio, o saldo negativo de 46 vagas veio acompanhado de um sintoma clássico de desaquecimento: o desligamento de gerentes. O estoque do setor agora totaliza 17.535 postos de empregos.

“O desligamento de cargos de gestão é o freio de mão puxado na demanda interna”, explica Castro. Segundo ele, o custo elevado do crédito e o endividamento das famílias comprimem o consumo básico, forçando o lojista a cortar custos estruturais para equilibrar o caixa diante da concorrência de grandes marketplaces.

Perspectivas para 2026: sustentabilidade e valor agregado

Apesar do otimismo empresarial para o início de 2026, a retomada sólida dos empregos qualificados em São Caetano do Sul depende de mudanças estruturais. O fechamento de 2025 mostra que, embora o estoque total tenha crescido, a economia local ainda opera sob a restrição de uma política monetária que encarece o investimento industrial.

A prioridade para o próximo exercício, segundo especialistas, deve ser a atração de investimentos de alto valor agregado. Sem isso, o crescimento do número de empregos corre o risco de se tornar apenas uma “gestão da estagnação”, baseada em vínculos de curta duração e baixa produtividade.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 31/01/2026
  • Fonte: Pocah