SBP atualiza diretrizes sobre suplementação de vitamina D para criança e adolescentes

Nova diretriz recomenda suplementação de vitamina D para crianças e adolescentes até 18 anos, combatendo deficiências e promovendo saúde

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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) anunciou uma atualização significativa em suas recomendações sobre a suplementação de vitamina D, abrangendo agora crianças e adolescentes até 18 anos. Essa mudança, publicada em um documento em novembro, marca a primeira atualização nas diretrizes desde 2015, quando as orientações eram restritas à suplementação para crianças com menos de um ano.

O objetivo principal dessa nova diretriz é combater a crescente deficiência de vitamina D entre os jovens, que pode resultar em condições como raquitismo, infecções respiratórias e problemas na saúde óssea. A decisão para essa ampliação das orientações foi fundamentada em uma revisão sistemática da Sociedade Americana de Endocrinologia, que destacou a importância da vitamina D para esse grupo etário.

O endocrinologista Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP, enfatiza que a atual realidade mostra um aumento no tempo que as crianças e adolescentes passam dentro de casa ou em ambientes fechados, como shoppings e consoles de videogame, reduzindo sua exposição à luz solar. Ele alerta que essa falta de atividade ao ar livre pode resultar em uma carência do nutriente vital.

A maior parte da vitamina D é sintetizada pela pele através da exposição ao sol, enquanto apenas uma pequena fração é obtida por meio da alimentação. Os principais alimentos ricos nesse nutriente — como peixes de água fria e fígado — não são comuns na dieta brasileira. “Ainda que existam opções fortificadas como leites e cereais, essas não são suficientes para garantir níveis adequados nas crianças”, acrescenta Alves.

De acordo com a nova diretriz, a SBP recomenda uma ingestão diária de 600 unidades internacionais (UI) para crianças acima de um ano e adolescentes, enquanto para bebês com menos de um ano a indicação é de 400 UI. A supervisão médica é fundamental para qualquer tipo de suplementação.

Apesar das condições climáticas favoráveis do Brasil, um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo revelou que 12,5% das amostras analisadas entre crianças e adolescentes apresentaram deficiência de vitamina D. A pesquisa também mostrou diferenças regionais significativas, como no Sul do país, onde 36% das crianças estavam deficientes durante o inverno.

A SBP ressalta que as diretrizes não devem ser aplicadas genericamente e que cada pediatra deve avaliar individualmente se é necessário realizar exames para medir os níveis de vitamina D. Diversos fatores influenciam a absorção do nutriente, incluindo a cor da pele e o local geográfico.

Em situações onde a criança tem uma vida ativa ao ar livre ou uma dieta equilibrada, pode não ser necessária a suplementação. No entanto, aqueles que permanecem em ambientes fechados ou têm baixa ingestão alimentar deste nutriente podem precisar de suplementos sem necessariamente realizar um exame prévio.

A pediatra Débora Ariela Kalman destaca que essa atualização não apenas previne deficiências nutricionais mas também estabelece diretrizes claras para evitar excessos na suplementação. A hipervitaminose D pode levar a complicações graves como hipercalcemia.

Portanto, mesmo com a nova recomendação da SBP, é crucial que pais e responsáveis busquem orientação médica antes de iniciar qualquer forma de suplementação em crianças e adolescentes. O cuidado deve ser redobrado considerando os riscos associados ao uso inadequado deste nutriente lipossolúvel.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 20/12/2024
  • Fonte: Sorria!,