Sbem busca incluir medicamentos para obesidade no SUS
Brasil enfrenta crise de saúde pública com 31% da população obesa
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 04/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) iniciou, nesta semana, uma campanha nacional visando a inclusão de medicamentos para o tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A ação conta com o apoio de diversas instituições, incluindo a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Por meio de um comunicado oficial, a Sbem destacou que o objetivo da mobilização é conscientizar a sociedade e pressionar autoridades em busca de políticas públicas que assegurem o acesso a tratamentos adequados, especialmente aqueles que envolvem medicações na rede pública.
A entidade enfatizou que, apesar de a obesidade ser classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica multifatorial, ela continua sendo uma das poucas condições não contempladas com opções de tratamento medicamentoso disponíveis no SUS.
“Enquanto pacientes que sofrem de hipertensão, diabetes, asma ou dislipidemia têm acesso gratuito a seus medicamentos, os indivíduos diagnosticados com obesidade ainda se veem sem alternativas terapêuticas na rede pública”, afirmou a Sbem em sua nota.
Atualmente, nenhum fármaco voltado para a perda de peso foi incorporado ao SUS, incluindo os medicamentos conhecidos como agonistas GLP-1, amplamente utilizados para controle do peso. A Sbem também ressaltou que, nos últimos cinco anos, quatro medicamentos para obesidade foram avaliados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e todos tiveram sua incorporação negada: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida.
Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, publicado pela Federação Mundial da Obesidade (WOF), revelam que 31% dos adultos brasileiros são considerados obesos e 68% apresentam sobrepeso. Isso significa que quase 70% da população adulta brasileira convive com excesso de peso.
Se as tendências atuais persistirem, as projeções indicam que até 2044 cerca de 48% dos adultos no Brasil poderão ser obesos. O relatório também aponta que mais de 60 mil mortes prematuras no país estão relacionadas ao sobrepeso e à obesidade, em decorrência de sua associação com doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC).
Além do impacto direto na saúde da população, o problema gera custos significativos para o sistema público de saúde. Segundo estimativas de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), entre 2021 e 2030, os custos diretos do SUS com doenças relacionadas à obesidade podem alcançar US$ 1,8 bilhão. As perdas indiretas associadas à redução da produtividade podem atingir valores ainda mais alarmantes, chegando a US$ 20 bilhões.