SBC inicia uso de anticorpos contra bronquiolite nas UBSs

Com foco na proteção infantil, a estratégia contra a bronquiolite utiliza o Nirsevimabe para reduzir internações de bebês prematuros e grupos de risco.

Crédito: Patrícia Ribeiro/PMSBC

A Prefeitura de São Bernardo do Campo, sob a gestão de Marcelo Lima, deu um passo decisivo na proteção da saúde infantil ao iniciar a aplicação do Nirsevimabe. Este anticorpo monoclonal é uma tecnologia de ponta indicada especificamente para a proteção de crianças com maior vulnerabilidade biológica contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR). O VSR é reconhecido pela comunidade médica como o principal agente causador da bronquiolite, condição que lidera as estatísticas de internações pediátricas, especialmente nos primeiros meses de vida.

A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Saúde, ocorre de forma estratégica para anteceder o período sazonal, época em que a circulação viral atinge seu pico. Diferente de uma campanha de vacinação em massa, a aplicação do imunizante segue um protocolo rigoroso de avaliação individual, garantindo que o recurso chegue aos pequenos cidadãos que realmente apresentam critérios clínicos de elegibilidade.

3 Grupos prioritários para a imunização contra a bronquiolite

Para organizar o atendimento e garantir a eficácia da rede de proteção, a Vigilância Epidemiológica de São Bernardo definiu critérios claros de acesso ao anticorpo. O imunizante é destinado a crianças de até 18 meses que se enquadrem nos seguintes perfis:

  1. Prematuridade extrema ou moderada: Bebês nascidos com idade gestacional abaixo de 37 semanas (com aplicação permitida até o sexto mês de vida).
  2. Condições Genéticas e Cardíacas: Crianças com síndrome de Down ou cardiopatias congênitas.
  3. Saúde Pulmonar: Pacientes com pneumopatias congênitas que exigem cuidados redobrados.

Segundo Renan Mota, diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica, a medida é fundamental para desafogar as unidades de pronto-atendimento. “Estamos dando início à aplicação de um anticorpo que visa proteger crianças vulneráveis. É uma medida para reduzir casos graves de bronquiolite, especialmente neste período que antecede a sazonalidade da doença”, pontuou o especialista.

Entenda o fluxo de solicitação nas Unidades Básicas de Saúde

Diferente das vacinas do calendário de rotina, o Nirsevimabe não fica armazenado em estoque livre nas salas de vacina. Por ser um medicamento de alto custo e alta especificidade, a logística é nominal. Para que a criança receba a dose, a família deve seguir um passo a passo administrativo e clínico.

A assistente técnica Jéssica de Cassia Santos Soares reforça que o acesso ocorre mediante protocolo técnico. É indispensável que os responsáveis apresentem na UBS um pedido médico detalhado, contendo a descrição do quadro clínico e o respectivo CID (Classificação Internacional de Doenças). “Após a avaliação caso a caso, o imunizante é encaminhado nominalmente para a unidade solicitante”, explicou Jéssica. Após o recebimento, a UBS realiza o agendamento direto com a família para a aplicação.

Prevenção da bronquiolite fortalece a rede materno-infantil

O secretário de Saúde, Dr. Jean Gorinchteyn, destacou que a incorporação desta tecnologia reforça o compromisso da cidade com a medicina preventiva. Ao evitar que o vírus evolua para quadros severos, o município protege a vida e otimiza o uso dos leitos hospitalares. “A incorporação do Nirsevimabe à estratégia municipal reforça nosso compromisso com a prevenção de casos graves de bronquiolite e o fortalecimento da rede materno-infantil”, afirmou o secretário.

Gabriela de Almeida Fusiol, mãe do pequeno Eduardo, de seis meses, expressou gratidão ao conseguir o acesso pelo SUS. Eduardo, que nasceu prematuro (36 semanas) e possui hipotireoidismo congênito, está prestes a iniciar a vida escolar, sendo um ambiente de alta exposição viral. “No particular estava bem caro e com dificuldade de cobertura. Quando a UBS entrou em contato, fiquei superaliviada”, relatou.

Situação semelhante viveu Jéssica Aldo Souza, mãe da pequena Milena. Após ter o pedido recusado pelo convênio particular, ela encontrou no SUS de São Bernardo a solução. “Pelo SUS consegui agendar e garantir a imunização dela. Agora estou mais tranquila quanto ao risco da bronquiolite”, finalizou.

Vacinação de gestantes: Outra frente de batalha

Além do anticorpo para os bebês, São Bernardo mantém a oferta da vacina contra o VSR para gestantes. Disponível em todas as UBSs, a dose deve ser administrada a partir da 28ª semana de gestação. Essa é a primeira barreira de proteção, permitindo que a mãe transfira anticorpos para o feto, garantindo proteção contra a bronquiolite logo nos primeiros dias após o nascimento.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 25/02/2026
  • Fonte: Farol Santander São Paulo