SBC instala 4.722 armadilhas para reduzir casos de dengue
Com tecnologia da Fiocruz, o novo reforço no combate à dengue promete eliminar até 98% dos mosquitos adultos em poucas semanas.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O combate à dengue em São Bernardo do Campo ganha um reforço tecnológico sem precedentes nesta semana. Em uma parceria estratégica com o Ministério da Saúde, a Prefeitura anunciou a instalação de 4.722 Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs). Os dispositivos, desenvolvidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), chegam para fortalecer a luta contra o Aedes aegypti, consolidando a cidade como referência em vigilância epidemiológica na região do Grande ABC.
A implementação começará pela Vila São Pedro, que receberá as primeiras 500 unidades devido à sua alta densidade populacional. O cronograma prevê que as entregas e os treinamentos das equipes de campo, coordenados pela Secretaria de Estado da Saúde, ocorram a partir de março.
Como funciona a tecnologia que combate a dengue
Diferente das armadilhas convencionais que visam apenas capturar o inseto, as EDLs utilizam o comportamento biológico da fêmea do mosquito a favor da saúde pública. O dispositivo assemelha-se a um balde com água e uma tela impregnada com larvicida.
Ao entrar na estação para depositar seus ovos, a fêmea não morre imediatamente, mas acaba contaminada pelo produto. “Quando ela sai para buscar outro foco de água, leva o larvicida consigo, eliminando todas as larvas que entrarem em contato com ela”, explica Ronaldo Novaes de Souza, coordenador das equipes de combate às endemias do CCZ.
Essa “disseminação itinerante” é o segredo do sucesso: ensaios da Fiocruz mostraram que o larvicida pode alcançar criadouros em um raio de até 400 metros de distância da estação instalada, garantindo uma cobertura superior a 94%.
Resultados comprovados: redução de 98% na emergência de mosquitos
A eficácia da estratégia contra a dengue é sustentada por números impressionantes colhidos em testes realizados no Amazonas. Em poucas semanas de uso das EDLs, a mortalidade de mosquitos imaturos saltou de 5% para 95%, resultando em uma queda drástica na população de mosquitos adultos.
Além da Vila São Pedro, os dispositivos serão espalhados por pontos estratégicos de São Bernardo, onde há maior recorrência de focos. A manutenção exige uma colaboração direta entre o poder público e os moradores:
- Agentes de saúde: Visitarão os imóveis mensalmente para repor o larvicida e checar o nível da água.
- População: Ficará responsável por completar o nível de água do recipiente conforme as orientações recebidas.
“É uma parceria essencial entre a comunidade e a prefeitura para diminuir ainda mais os casos de dengue. Tenho certeza de que será um sucesso”, afirma o Dr. Jean Gorinchteyn, secretário de Saúde de São Bernardo.
São Bernardo é referência em prevenção no Grande ABC
O investimento em tecnologia é reflexo dos bons indicadores colhidos no último ano. Em 2025, São Bernardo registrou uma queda de 52% no número de casos de dengue e uma redução expressiva de 83% nos óbitos.
Ao todo, as equipes visitaram mais de 690 mil imóveis, o melhor desempenho absoluto entre as cidades do Grande ABC, segundo dados do Sisaweb. Além de São Bernardo, cidades como Mauá, Santo André, Diadema e São Caetano também devem integrar o programa de disseminação de larvicidas em áreas estratégicas.
Vacinação segue disponível nas UBSs
Enquanto as novas armadilhas não chegam às ruas, a prefeitura reforça a importância da imunização. A vacina contra a dengue está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para o público de 10 a 14 anos. Profissionais da saúde que atuam na atenção primária também já contam com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan.
Para conferir o endereço e horário de funcionamento da UBS mais próxima, os moradores podem acessar o portal oficial da saúde do município.