SBC garante água potável a indígenas com 70 filtros

Com trabalho da gestão, estão sendo entregues 70 unidades que vão garantir água potável para cerca de 180 pessoas que vivem em quatro aldeias no município

Crédito: Igor Cotrim

A saúde dos povos originários de São Bernardo do Campo recebeu um reforço significativo com a entrega de 70 filtros de barro a quatro comunidades indígenas da cidade. A iniciativa visa garantir o consumo de água potável para cerca de 180 pessoas que residem nas aldeias Guyrapaju, Pinheiroty, Nhamandu Mirim e Kuaray Rexakã, localizadas na região do Pós-Balsa. A primeira leva de equipamentos, um símbolo de eficiência e simplicidade no tratamento de água, foi entregue na última quinta-feira (23/10) pela equipe Lilás da Unidade Básica de Saúde (UBS) Santa Cruz, responsável pelo atendimento desses moradores.

A medida representa um impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar das famílias. Até a chegada dos purificadores, o consumo de água proveniente de nascentes no entorno das aldeias era uma rotina, frequentemente resultando em sérios problemas de saúde. Os registros de vômitos, diarreias de repetição e dores abdominais eram uma constante, afetando especialmente o público mais vulnerável, como crianças e idosos. A implementação dos filtros, uma solução de baixo custo e alta eficácia, é vista como um passo crucial para erradicar esses transtornos de origem hídrica.

A estratégia dos filtros de barro:

Entrega de filtros de barro em aldeias indígenas em São Bernardo do Campo - Igor Cotrim/PMSBC
Entrega de filtros de barro em aldeias indígenas em São Bernardo do Campo – Igor Cotrim/PMSBC

A demanda pela aquisição e distribuição dos filtros de barro nasceu de uma articulação direta com a comunidade. Segundo o relato do enfermeiro Antonio Carlos Bezerra, diretor de seção do Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado da Secretaria de Saúde de São Bernardo, o pedido foi apresentado pelo comitê indígena à médica de Família e Comunidades Sônia Seng, profissional integrante da equipe Lilás da UBS Santa Cruz.

A escolha por este tipo de equipamento não foi por acaso. Antonio Carlos Bezerra destacou a natureza prática e a adaptabilidade dos purificadores. “Por ser um equipamento simples, de fácil manejo, que não necessita de energia elétrica, é uma solução eficiente e de baixo custo para um problema importante de saúde que essas pessoas tinham”, explicou o diretor. A utilização de filtros de barro tradicionais, que não dependem de insumos externos ou da rede elétrica, alinha-se perfeitamente às condições e ao modo de vida das comunidades no Pós-Balsa, garantindo uma solução sustentável e duradoura.

Os equipamentos entregues são de alta qualidade, dotados de três velas de filtragem, além de um conjunto de três velas reservas para manutenção futura. A equipe de saúde, que realiza visitas semanais aos aldeados, foi responsável por oferecer todas as orientações necessárias sobre higiene e limpeza dos novos purificadores. Esta etapa de educação e treinamento é fundamental para assegurar a máxima eficácia e a longevidade dos filtros de barro.

A primeira fase de entrega contemplou as aldeias Guyrapaju e Pinheiroty, que receberam um total de 36 unidades. A próxima etapa, programada para a semana seguinte, irá beneficiar as comunidades Nhamandu Mirim e Kuaray Rexakã, completando a distribuição dos 70 equipamentos. A aquisição de todos os purificadores foi realizada com recursos do orçamento da Secretaria de Saúde municipal, demonstrando o compromisso da gestão com a saúde indígena.

Qualidade de Vida e o propósito da saúde pública em SBC

O secretário de Saúde de São Bernardo, Dr. Jean Gorinchteyn, enfatizou a importância de levar a saúde pública a todos os cantos do município, sem exceção. Ele ressaltou que a atuação da UBS Santa Cruz, mesmo estando no extremo da cidade, atende tanto os moradores do bairro quanto as pessoas aldeadas, cumprindo o princípio de universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Essa ação reafirma o propósito da gestão do nosso prefeito Marcelo Lima, que é o de não deixar ninguém para trás”, declarou o secretário. Para Gorinchteyn, os filtros de barro representam mais do que um simples objeto: “Filtros de barro são um patrimônio brasileiro, muito eficientes para que as pessoas tenham água potável e, apesar de simples, vão garantir um salto de qualidade de vida para todos os indígenas que vivem nessas quatro aldeias”, concluiu.

A certeza de que a melhoria na saúde será “rápida e permanente”, conforme detalhado pelo enfermeiro Antonio Carlos Bezerra, reforça o sucesso da intervenção. Com a chegada dos 70 filtros de barro, a gestão municipal não apenas resolve um problema crônico de saúde pública, mas também demonstra respeito e valorização pelo bem-estar dos povos originários, provando que soluções acessíveis podem gerar resultados de grande impacto social e sanitário.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/10/2025
  • Fonte: FERVER