Sinais de que a saúde mental da mãe precisa de atenção
Excesso de visitas e a quebra de rotina são riscos para a saúde mental da mãe, aponta a especialista
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Enquanto o mês de dezembro é marcado por celebrações e reuniões, para as mulheres no puerpério — especialmente aquelas que atravessaram a jornada de uma UTI Neonatal — o período pode ser um gatilho para a exaustão emocional. A quebra de rotina, o excesso de estímulos e a pressão social por “estar alegre” criam um cenário de sobrecarga que exige atenção redobrada da rede de apoio.
A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, explica que esse impacto está profundamente ligado à história individual de cada mãe e ao suporte que ela recebe.
O peso extra para mães de prematuros
Para quem viveu a prematuridade, o contraste entre o ambiente festivo e a fragilidade do bebê pode ser doloroso.
- Ciclo de Exaustão: Mães que passaram por rotinas hospitalares rígidas chegam ao fim do ano emocionalmente esgotadas.
- Sentimento de Solidão: Ver o mundo comemorando enquanto se lida com a fragilidade de um filho interna ou recém-chegado da UTI pode aprofundar a sensação de culpa e inadequação.
- Vulnerabilidade na Rede de Apoio: Muitas vezes, familiares viajam ou focam nas festas, deixando a puérpera sem o suporte emocional necessário justamente quando ela está mais frágil.
Gatilhos ambientais e a luta por limites
O ambiente de fim de ano é, por natureza, desorganizado: barulho, visitas constantes e noites curtas. Para uma mãe de bebê prematuro, isso gera um estado de alerta constante.
- Medo de Infecções: A mãe sabe que o sistema imunológico do bebê é delicado. A falta de confiança na higiene das visitas (mãos, máscaras, toque excessivo) dispara a ansiedade.
- Perda de Privacidade: Hospedar parentes em casa ou passar as festas na casa de terceiros retira da mãe o controle sobre o fluxo de pessoas e o manejo do bebê.
- Dificuldade de Dizer “Não”: Sem o respaldo do parceiro ou da família, muitas mulheres não conseguem impor limites, o que amplifica o estresse.
“Um ambiente desregulado tende a desregular também o bebê, que depende da mãe para sua organização emocional”, alerta Rafaela Schiavo.
Sinais de alerta na saúde mental: Quando a sobrecarga transborda

É fundamental observar se a mãe apresenta:
- Ansiedade e irritabilidade persistentes.
- Dificuldade de dormir (mesmo quando o bebê dorme).
- Choro frequente e sensação de alerta constante.
- Desejo de isolamento e pensamentos de insuficiência.
Como ser uma rede de apoio real neste fim de ano?
Apoiar uma mãe no pós-parto exige menos julgamento e mais ação prática. Se você vai visitar uma família com recém-nascido:
- Respeite a rotina: Não force horários ou prolongue a visita.
- Higiene em primeiro lugar: Lave as mãos e não toque no bebê sem autorização.
- Seja o filtro: Se você é o parceiro ou familiar próximo, assuma o papel de proteger a privacidade da mãe e do bebê.
- Ofereça ajuda prática: Lavar a louça ou cuidar de uma tarefa doméstica vale mais do que qualquer conselho não solicitado.