Saúde mental: 79% dos brasileiros priorizam bem-estar no trabalho

Descubra como ambientes tóxicos afetam os colaboradores

Crédito: Marcelo Camargo - Agência Brasil

No atual contexto de crescente pressão e ambientes adversos, profissionais brasileiros estão reavaliando suas prioridades no mercado de trabalho. Dados de uma pesquisa realizada pela Ipsos indicam que a preocupação com a saúde mental aumentou quase três vezes entre 2018 e 2022, refletindo diretamente na relação dos colaboradores com seus empregos.

Um estudo da plataforma de recrutamento Monster revela que uma significativa maioria dos trabalhadores (79%) prioriza seu bem-estar em detrimento de promoções (43%) ou aumentos salariais (36%). Essa mudança de perspectiva deve ser levada em consideração por empresas e líderes que buscam atrair e manter talentos qualificados.

A terapeuta Renée Zavislak destaca que, mesmo com a implementação de benefícios voltados à saúde mental, um ambiente tóxico pode inviabilizar o acesso a esses recursos. “Se o clima organizacional permanecer hostil, os funcionários não se sentirão seguros para utilizar o suporte disponível, pois os problemas enraizados no cotidiano tóxico prevalecerão”, observa.

De acordo com uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia, o bem-estar psicológico é uma preocupação central para os profissionais. No Brasil, um levantamento da Zenklub aponta que o nível de satisfação dos colaboradores em relação ao trabalho está abaixo do mínimo aceitável, com quase 70% dos entrevistados afirmando trabalhar em um ambiente tóxico.

A mesma pesquisa da Monster sobre saúde mental no ambiente profissional revela que aproximadamente 80% dos trabalhadores acreditam que seus empregadores não estão fazendo o suficiente para tratar essa questão. Além disso, mais de 60% dos profissionais prefeririam pedir demissão, enquanto 39% optariam por serem demitidos a permanecer em um ambiente prejudicial à sua saúde mental.

O relatório identifica cinco fatores principais que contribuem para o cenário negativo em relação à saúde mental dos colaboradores. Um deles é o custo elevado do burnout, que representa um ônus significativo para as empresas. Estima-se que cada US$ 10.000 (R$ 56 mil) investidos em salários incorrem em cerca de US$ 3.400 (R$ 19 mil) em custos associados ao esgotamento profissional, além da queda na produtividade, segundo dados da consultoria Gallup.

Para atender às necessidades dos colaboradores, é fundamental respeitar limites e promover o direito à desconexão antes que o ressentimento e o burnout levem à saída dos melhores talentos. “As organizações frequentemente esperam até que seja tarde demais para abordar o burnout. É necessário adotar soluções preventivas desde já”, afirma Zavislak.

Uma abordagem eficaz seria incentivar os funcionários a usufruírem suas férias, já que muitos não fazem isso espontaneamente. Por exemplo, as operações do Duolingo são interrompidas por duas semanas anualmente para permitir que os colaboradores aproveitem esse tempo sem preocupações relacionadas ao trabalho. “Essa prática é vital porque tanto os gerentes quanto os executivos também estão de férias. Aqueles em posições de liderança devem promover hábitos saudáveis“, acrescenta.

Além das ações pontuais, as empresas precisam avaliar cuidadosamente sua cultura organizacional e identificar oportunidades para implementar mudanças positivas. Vicki Salemi, especialista em carreiras da Monster, comenta: “À medida que as empresas abordam as questões internas que impactam a saúde mental de seus colaboradores e se empenham na criação de ambientes favoráveis, elas poderão avançar nesse aspecto. Dessa forma, passarão a ser parte da solução e não do problema.”

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 26/03/2025
  • Fonte: Multiplan MorumbiShopping