Saúde masculina: 46% dos homens +40 só vão ao médico quando sentem algo
Pesquisa revela que medo do câncer de próstata (58%) e tabus ainda afastam homens com mais de 40 anos dos consultórios.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 30/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um levantamento recente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) expõe dados alarmantes sobre a saúde masculina no Brasil. Conforme o estudo, 46% dos homens com mais de 40 anos admitem que só procuram um médico quando já sentem sintomas. Esse índice é ainda mais crítico entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), saltando para 58%.
O câncer de próstata lidera os temores desse grupo, sendo a principal preocupação urológica para 58% dos entrevistados. Em seguida, aparece o medo da impotência sexual, com 37% das menções.
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O paradoxo da preocupação
A pesquisa, realizada pelo Instituto de Pesquisa IDEIA Laboratório Adium, revela um paradoxo: embora apenas 32% dos homens se considerem “bastante preocupados” com a própria saúde, metade deles admite sentir ansiedade ao pensar no assunto.
Entre os problemas de saúde autoidentificados pelos participantes, os mais comuns foram:
- Sedentarismo (26%)
- Hipertensão (24%)
- Obesidade (12%)
Ainda assim, 35% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum problema de saúde diagnosticado.
Diferenças entre as faixas etárias
O comportamento varia com a idade. Homens acima de 60 anos demonstram maior zelo: 78% realizam exames a cada seis meses ou anualmente, sendo a hipertensão (40%) sua maior queixa, enquanto o sedentarismo (18%) é menos relatado.
Em contrapartida, no grupo mais jovem (40 a 44 anos), quase metade (49%) só procura ajuda médica ao sentir alguma alteração, negligenciando a prevenção essencial para a saúde masculina.
O tabu persiste: o exame de toque retal ainda gera apreensão significativa, afetando 1 em cada 7 homens, com maior incidência acima dos 60 anos e na região Centro-Oeste, onde também se registrou maior medo do câncer (64%) e da disfunção erétil (43%).
As consequências da falta de prevenção
Essa negligência tem um preço alto. Dados do IBGE mostram que homens vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. A SBU atribui parte dessa disparidade à falta de uma cultura de prevenção.
Médicos alertam que o foco na saúde masculina não deve se limitar ao câncer de próstata. Condições cardiovasculares, pulmonares e gastrointestinais, muitas vezes ligadas a estilos de vida pouco saudáveis, como sedentarismo e consumo excessivo de álcool e tabaco, também são prevalentes e precisam de atenção.

HBP: A doença da próstata mais comum e desconhecida
Embora o câncer de próstata seja o mais temido (75% o conhecem), a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) é, na verdade, a condição prostática mais comum. Contudo, é uma grande desconhecida: apenas 43% dos homens sabem o que é HBP, contra 59% que conhecem a prostatite.
Esse desconhecimento é maior entre os mais jovens (40-44 anos), onde só 39% têm informação sobre o problema, e na região Norte (33%).
O Dr. Roni Fernandes, vice-presidente da SBU, explica que a HBP é o aumento da próstata devido ao crescimento celular excessivo, comum após os 50 anos. “Aproximadamente metade dos homens acima dos 50 anos pode desenvolver algum grau da doença”. Os sintomas afetam diretamente o trato urinário:
- Aumento da frequência para urinar durante o dia;
- Diminuição da força e do calibre do jato urinário;
- Dificuldade para iniciar a micção;
- Sensação urgente para urinar.
“Esses sintomas ocorrem devido à compressão da uretra pelo aumento da próstata, resultando em obstrução parcial do fluxo urinário“, detalha Dr. Fernandes. Se não tratada, a HBP pode levar a infecções, retenção urinária e impactar negativamente bexiga e rins.
A barreira cultural e o tabu da fragilidade
Superar a relutância é o maior desafio para a saúde masculina. Em entrevista ao programa Bem-Estar, a médica de família Brenda Costa foi cirúrgica: “Existe um tabu social que associa buscar ajuda à fragilidade”.
Ela ressalta que essa barreira cultural tem efeitos graves: “A falta de ações preventivas resulta em consequências severas, como óbitos precoces entre homens”. A médica conclui enfatizando a urgência da comunicação sobre os sentimentos e medos relacionados à saúde masculina.