Saúde masculina: Estudo revela desafios
Apenas 32% dos entrevistados se preocupam com a própria saúde
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 30/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Uma pesquisa recente realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) trouxe à tona dados alarmantes sobre a saúde masculina, especialmente entre homens com mais de 40 anos. O estudo revelou que o câncer de próstata é a condição urológica que mais assusta essa faixa etária, com 58% dos entrevistados expressando medo da doença.
No contexto do Dia do Homem, a pesquisa destacou que 46% dos homens acima de 40 anos só buscam atendimento médico quando apresentam sintomas, e esse percentual sobe para 58% entre aqueles que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, apenas 32% dos participantes se consideram bastante preocupados com sua saúde, embora metade deles relate sentir medo ou ansiedade ao refletir sobre seu estado de saúde.

Os principais problemas de saúde identificados na pesquisa incluem:
- Sedentarismo (26%)
- Pressão alta (24%)
- Obesidade (12%)
Notavelmente, 35% dos entrevistados afirmaram não ter problemas de saúde. Entre os homens com mais de 60 anos, a pressão alta foi o problema mais comum (40%), enquanto o sedentarismo apresentou a menor taxa de escolha (18%). Este grupo demonstrou maior atenção à saúde, com 78% realizando exames regularmente a cada seis meses ou anualmente.
O exame de toque retal continua sendo um tema delicado, despertando receios em um em cada sete homens, especialmente aqueles com mais de 60 anos e os oriundos da região Centro-Oeste. Esta região também registrou a maior proporção de homens preocupados com o câncer (64%) e disfunção erétil (43%).
Conduzido pelo Instituto de Pesquisa IDEIA Laboratório Adium, o estudo envolveu 1.500 homens acima de 40 anos em todo o Brasil, realizado entre 7 e 12 de setembro de 2023.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que os homens vivem em média sete anos a menos que as mulheres. A SBU atribui essa disparidade à falta de educação preventiva voltada para a saúde masculina. Médicos enfatizam a necessidade urgente de desmistificar a ideia de que os homens devem focar exclusivamente na detecção do câncer de próstata, uma vez que doenças cardiovasculares, pulmonares e gastrointestinais também se manifestam frequentemente devido a estilos de vida pouco saudáveis.

A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é outra preocupação significativa; embora seja a condição prostática mais comum, apenas 43% dos homens têm conhecimento sobre ela. A maioria está ciente do câncer (75%) e da prostatite (59%). O desconhecimento é ainda maior entre os mais jovens: apenas 39% dos homens entre 40 e 44 anos estão informados sobre a HBP.
A HBP ocorre quando a próstata aumenta devido ao crescimento celular excessivo e é mais prevalente em homens acima dos 50 anos. Segundo o Dr. Roni Fernandes, vice-presidente da SBU, cerca de 50% dessa faixa etária pode desenvolver algum grau da condição. Os sintomas incluem aumento da frequência urinária diurna, diminuição da força do jato urinário e dificuldade para iniciar a micção.
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A ausência de tratamento pode levar à retenção urinária e complicações severas como infecções no trato urinário. Em conversa com o programa Bem-Estar, a médica Brenda Costa ressaltou que os tabus sociais e a percepção equivocada sobre a fraqueza associada à busca por ajuda contribuem para essa realidade preocupante. A prevenção é crucial para evitar as consequências trágicas da negligência à saúde masculina.