São Paulo reforça vigilância após surto de Ebola no Congo

Secretaria da Saúde de SP reforça rede de vigilância e atualiza fluxo de atendimento para casos suspeitos após alerta internacional

Crédito: Divulgação Freepik

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) atualizou a nota técnica com orientações à rede estadual de saúde sobre o surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo. O documento foi elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) e pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD), com foco em medidas de identificação, notificação, isolamento e atendimento de casos suspeitos.

Segundo a avaliação técnica da Pasta, o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul é considerado baixo. Entre os fatores analisados estão a ausência de transmissão autóctone do vírus no continente sul-americano, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e países da América do Sul, além da forma de transmissão da enfermidade, que ocorre por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas sintomáticas.

Rede de saúde mantém vigilância ativa

Mesmo com a classificação de baixo risco, a SES-SP orienta que os serviços de saúde mantenham atenção redobrada para pacientes com febre e histórico de viagem, nos últimos 21 dias, para áreas com circulação do vírus. Também devem ser monitorados casos envolvendo contato direto com fluidos corporais de pessoas suspeitas ou confirmadas.

“São Paulo atua de forma preventiva e mantém sua rede preparada para uma resposta rápida e segura. Por concentrar importante fluxo internacional de viajantes, o estado conta com protocolos definidos, vigilância ativa, equipes capacitadas e unidades de referência para identificação, notificação e atendimento oportuno de casos suspeitos”, afirmou a coordenadora de Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças, Regiane de Paula.

Sintomas do Ebola e protocolos de atendimento

A doença pelo vírus Ebola pode se manifestar de forma súbita, com sintomas como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal. Em situações mais graves, o quadro pode evoluir para hemorragias, choque e falência múltipla de órgãos. O período de incubação varia entre dois e 21 dias.

No estado de São Paulo, casos suspeitos devem ser notificados imediatamente à vigilância epidemiológica municipal e ao Centro de Vigilância Epidemiológica. A remoção de pacientes, quando necessária, será realizada pelo Grupo de Resgate e Atendimento às Urgências e Emergências (GRAU).

O Instituto de Infectologia Emílio Ribas foi definido como unidade estadual de referência para atendimento de casos suspeitos ou confirmados. Já o Instituto Adolfo Lutz ficará responsável pela investigação laboratorial e pelo diagnóstico diferencial.

Transmissão e monitoramento de casos

A SES-SP reforçou ainda que a transmissão do Ebola não ocorre antes do início dos sintomas. O maior risco está relacionado ao contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, principalmente em fases avançadas da doença.

Pessoas assintomáticas que tiveram exposição considerada de risco deverão ser monitoradas diariamente durante 21 dias. Até o momento, não existem vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo, associada ao atual surto. As vacinas e tratamentos disponíveis foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não apresentam eficácia comprovada para a variante em circulação.

Notificação de casos suspeitos

Os casos suspeitos devem ser comunicados imediatamente ao Centro de Vigilância Epidemiológica por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS). A Saúde SP completa segue disponível para consulta da rede estadual de saúde.

  • Publicado: 22/05/2026 14:40
  • Alterado: 22/05/2026 14:41
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Saúde SP