São Paulo registra queda significativa nos casos de hanseníase

Conheça os avanços e desafios no combate à doença e a importância do diagnóstico precoce

Crédito: Marcelo Camargo - Agência Brasil

A cidade de São Paulo tem apresentado uma notável redução no número de casos de hanseníase, resultado de um trabalho sistemático e abrangente realizado pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). Desde 2007, o município observou uma diminuição de 68% nos diagnósticos da doença, cumprindo assim as metas estipuladas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que preconiza menos de um caso para cada 100 mil habitantes.

Dados recentes da Divisão de Vigilância Epidemiológica (DVE), vinculada à Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) da SMS, indicam que em 2007 foram registrados 311 novos casos, enquanto em 2023 esse número caiu para 102, e a previsão para 2024 é ainda mais otimista, com 97 diagnósticos positivos até agora.

Janeiro é o mês dedicado à conscientização sobre a hanseníase, uma doença que coloca o Brasil na segunda posição mundial em termos de diagnósticos, conforme informações do Ministério da Saúde. Anualmente, a rede municipal trata entre 160 e 180 pacientes e mantém acompanhamento para mais de 600 indivíduos que enfrentam complicações relacionadas à doença. O tratamento é gratuito e não requer internação, evidenciando que a hanseníase, provocada pelo bacilo de Hansen, é curável.

Importância do Diagnóstico Precoce

Para um diagnóstico precoce da hanseníase, é essencial que os cidadãos estejam atentos aos sinais que seu corpo apresenta. A doença geralmente se manifesta por manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, que podem ser dormentes e surgem em qualquer parte do corpo. “Essas manchas são caracterizadas pela redução ou perda da sensibilidade ao toque, dor ou temperatura e costumam aparecer em áreas consideradas frias do corpo, como coxas, nádegas e costas”, explica Carlos Ferreira, coordenador do Programa Municipal de Controle de Hanseníase (PMCH).

Quando surgirem sintomas suspeitos, a recomendação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para uma avaliação inicial. Se necessário, o paciente será encaminhado para uma Unidade de Referência de Hanseníase (URH).

A capital paulista conta com 30 URHs preparadas para oferecer tratamento tanto para os pacientes quanto para seus familiares, com equipes multidisciplinares altamente capacitadas.

Desafios e Avanços no Combate à Hanseníase

Carlos Ferreira ressalta que um dos principais desafios enfrentados pelas equipes de saúde é combater o estigma social associado à hanseníase. Historicamente conhecida como lepra, a doença era frequentemente diagnosticada tardiamente, resultando em mutilações e deformidades. Portanto, promover informação e orientação é vital para identificar rapidamente os casos e iniciar o tratamento adequado.

A queda na incidência da doença é atribuída às estratégias eficazes implementadas na prevenção e controle. Segundo Carlos Tadeu Maraston Ferreira, coordenador do PMCH na Covisa, os avanços refletem políticas públicas que se concentram em três pilares: educação, divulgação das informações sobre os sinais da doença e manutenção da rede assistencial.

Uma das iniciativas bem-sucedidas adotadas pelo município é a descentralização da vigilância. Com autorização dos pacientes, visitas domiciliares são realizadas para verificar se outros moradores podem estar infectados. Além disso, investiga-se a história de contatos nos últimos cinco anos para entender onde a infecção ocorreu e se há risco de transmissão.

Grupos de Autocuidado: Uma Abordagem Complementar

Além do tratamento medicamentoso convencional, as unidades de referência oferecem grupos de autocuidado para pacientes com hanseníase. No Hospital Dia São Mateus, por exemplo, a enfermeira Daniele de Andrade lidera um grupo que atualmente conta com 15 participantes. Esses encontros são fundamentais para ensinar cuidados adequados com a pele e discutir direitos dos pacientes afetados pela doença.

Raimundo Cristóvão de Lima, um paciente de 69 anos que iniciou seu tratamento no HD Itaim Paulista em 2020, destaca a importância desses grupos no processo educativo sobre a hanseníase. Após experiências frustrantes em outros estados com diagnósticos tardios, ele chegou a São Paulo sem conseguir andar adequadamente devido à condição. Após quatro anos de tratamento intensivo, Raimundo relata melhorias significativas em sua saúde e qualidade de vida.

A enfermeira Tatiane do Carmo Silva Caetano enfatiza que as reuniões proporcionam um ambiente acolhedor para os pacientes lidarem com o estigma social associado ao diagnóstico da doença.

Capacitação Profissional e Campanhas Educativas

O Programa Municipal de Controle de Hanseníase também se dedica à capacitação dos profissionais envolvidos na assistência médica. Desde 2013 até agora, mais de 177 mil profissionais foram treinados nas UBSs para desenvolver atividades educativas durante o mês dedicado à hanseníase. Durante as campanhas realizadas nos últimos anos foram identificados vários casos suspeitos com confirmação subsequente da doença.

A transmissão da hanseníase ocorre principalmente através das secreções respiratórias e por meio do contato íntimo prolongado com indivíduos não tratados. A evolução da enfermidade pode ser lenta e os sintomas podem levar até cinco anos para aparecer após a contaminação.

Os principais sinais incluem manchas dormentes na pele e diminuição da sensibilidade nas extremidades do corpo. Sem tratamento adequado, pode haver desenvolvimento de complicações severas.

O tratamento é gratuito nas unidades municipais e varia entre seis a doze meses dependendo da forma clínica apresentada pelo paciente. É importante ressaltar que aqueles diagnosticados podem continuar suas vidas normalmente entre amigos e familiares sem restrições sociais.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 07/01/2025
  • Fonte: Teatro Liberdade