São Paulo prorroga prazo para desocupação do Teatro de Contêiner
Prefeitura de SP prorroga desocupação do Teatro de Contêiner e oferece novo espaço
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou a extensão do prazo para a desocupação do espaço ocupado pelo Teatro de Contêiner, localizado na Luz, região central de São Paulo. Inicialmente estipulado em 15 dias, o novo prazo foi ampliado para 60 dias, com término previsto para 20 de outubro. A administração municipal também apresentou um quarto terreno como opção para a realocação da companhia.
Em comunicado oficial, a prefeitura afirmou que o grupo deverá utilizar este período para organizar a transferência do teatro da rua General Couto de Magalhães para uma nova localidade. Além disso, foi informado que a nova área disponível possui uma extensão de 1.043 metros quadrados, situada na altura do número 807 da rua Helvétia, nas proximidades da avenida São João e a menos de um quilômetro do local atual de funcionamento do Mungunzá.
A administração destacou que o novo endereço está a apenas 100 metros do espaço onde será instalado o Coletivo Tem Sentimento, que atualmente ocupa irregularmente uma área e também receberá um espaço legalizado. Com dimensões adequadas, o terreno oferecido ao Mungunzá conta com 41 metros de frente e 24 metros de fundo, o que permitirá a continuidade das atividades teatrais.
No comunicado, a prefeitura listou as outras três opções de terrenos que já haviam sido disponibilizadas anteriormente: um na rua Conselheiro Furtado, outro na própria rua Helvétia e o terceiro na rua João Passaláqua, na região do Bixiga. A gestão municipal também enfatizou o investimento de R$ 2,5 milhões em apoio às atividades da companhia, além de mencionar planos para revitalizar a área, incluindo a construção de um novo prédio destinado à habitação de interesse social.
O primeiro prazo de desocupação foi estabelecido em um documento assinado em 6 de agosto e incluía menções sobre o uso de “gradação coercitiva” para desocupar o terreno. Entretanto, diante da repercussão negativa gerada pela decisão, a prefeitura optou por oferecer mais tempo à companhia para encontrar uma nova sede.
Na tentativa de promover seu projeto habitacional, a prefeitura chegou a montar um palco na terça-feira passada; no entanto, cancelou a ação após vídeos da Guarda Civil Metropolitana circularem nas redes sociais. A comunidade artística respondeu com apoio ao Teatro de Contêiner, realizando vigílias e aulas públicas no local. Na quinta-feira, um show do músico Diego Estevam foi realizado como parte das manifestações culturais em defesa do teatro.
Figuras proeminentes da cena cultural também se manifestaram nas redes sociais em favor da permanência do Teatro de Contêiner. A atriz Fernanda Torres enviou uma carta aberta ao prefeito solicitando que o teatro permaneça em sua localização atual. Sua mãe, Fernanda Montenegro, já havia feito um apelo semelhante anteriormente. A atriz Marieta Severo comparou as ações da Guarda Civil Metropolitana em relação ao teatro às repressões sofridas pelos artistas durante o regime militar brasileiro.