São Paulo lidera atração de projetos chineses no Brasil
Estado recebeu mais de um terço dos US$ 73,3 bilhões em investimentos confirmados do país no Brasil entre 2007 e 2023
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 09/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do Estado de São Paulo possui um escritório em Xangai, gerido pela Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe SP), que tem como objetivo promover o estado como um polo atrativo para investidores chineses.
Um estudo realizado pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) revela que São Paulo lidera a atração de investimentos chineses, respondendo por 36,2% do total dos empreendimentos na última década. Minas Gerais ocupa a segunda posição com 11,7%, seguida por Goiás com 6,3%. O levantamento foi baseado em 264 projetos confirmados entre 2007 e 2023, totalizando um investimento de US$ 73,3 bilhões.
De acordo com Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, a sólida base industrial paulista é um fator crucial que favorece tanto a criação de novas empresas quanto aquisições por parte dos investidores chineses. Ele destaca que desde 2010 o Brasil se tornou uma prioridade para os investidores da China, que intensificaram sua presença no setor produtivo nacional: “Em cerca de 15 anos, os empresários chineses implementaram projetos relevantes alcançando quase todos os estados brasileiros”, afirma.
O secretário Jorge Lima, que dirige a SDE, explicou que o escritório em Xangai realiza atividades contínuas como missões comerciais e eventos para apresentar as vantagens de investir em São Paulo às autoridades e empresários chineses. Lima ressalta que os setores com maior fluxo de capital chinês incluem automobilismo, alimentos e bebidas, energia, química e máquinas. Um exemplo significativo é o investimento de R$ 10 bilhões anunciado pela GWM para uma nova fábrica em Iracemápolis.
A equipe da Investe SP também busca ativamente parcerias público-privadas (PPPs) para atrair investimentos. Um projeto notável é o Trem Intercidades (TIC) entre São Paulo e Campinas, cujo leilão foi ganho pelo consórcio C2 Mobilidade sobre Trilhos, que conta com a colaboração da empresa chinesa CRRC. Desde o início da atual gestão, mais de 30 delegações chinesas visitaram São Paulo com a organização da SDE e Investe SP.
No cenário mineiro, Minas Gerais tem atraído mais de R$ 8,9 bilhões em investimentos chineses desde 2019. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), através da Invest Minas, tem promovido missões internacionais e assessorado empresas interessadas em estabelecer parcerias. Mila Corrêa da Costa, secretária da Sede, informa que os principais setores receptores incluem agronegócio, eletroeletrônicos e mineração. Recentemente, a Midea inaugurou sua primeira fábrica totalmente própria no Brasil em Pouso Alegre com um investimento de R$ 630 milhões.
Além disso, uma missão mineira à Xangai discutiu oportunidades em minerais estratégicos e terras raras resultando na previsão de seis novos empreendimentos que deverão gerar R$ 1 bilhão e mais de 2 mil empregos.
Outros estados brasileiros também estão se esforçando para expandir suas relações comerciais internacionais. O Paraná figura na sétima posição em atração de projetos chineses. A Invest Paraná organiza missões comerciais e rodadas de negócios para impulsionar a cooperação bilateral em setores como infraestrutura e energia. Eduardo Bekin, presidente da agência paranaense de promoção de investimentos, destacou a joint venture entre Renault e Geely para produção de veículos híbridos e elétricos em São José dos Pinhais.
Desde 2018, o Terminal de Contêineres de Paranaguá faz parte do portfólio da China Merchants Port Holding Company (CMPort), reconhecida como uma das maiores desenvolvedoras e operadoras portuárias da China. No último ano, a Invest Paraná atendeu a 20 empresas chinesas interessadas em estabelecer negócios no estado.
No Nordeste do Brasil, a Bahia se destaca como o quarto estado mais atrativo para investimentos chineses. Cariello do CEBC menciona que esses investimentos têm se concentrado principalmente na indústria manufatureira e no setor energético. Um exemplo é a construção da fábrica da BYD em Camaçari com investimentos previstos em R$ 3 bilhões para produção de carros elétricos.