São Paulo leva crise hídrica à agenda nacional
Grupo de Trabalho nacional vai analisar impactos das transposições e buscar soluções para o estresse hídrico em São Paulo e Rio de Janeiro.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 23/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Pocah
São Paulo está no centro de um novo debate estratégico nacional para garantir a segurança no abastecimento de água. Diante do agravamento do estresse hídrico na Bacia do Rio Paraíba do Sul, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) oficializou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) dedicado a encontrar soluções estruturais para a crise. A iniciativa, conduzida pela Câmara Técnica de Planejamento e Articulação, conta com a participação direta do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
O foco principal é garantir que o acompanhamento do cenário seja contínuo, evitando que decisões sejam tomadas apenas de forma emergencial. Segundo Nelton Friedrich, diretor do Departamento de Revitalização de Bacias Hidrográficas do MIDR, a questão em São Paulo e em outras regiões do Brasil é tanto conjuntural quanto estrutural, exigindo processos que envolvam todos os atores da gestão hídrica.
O desafio das transposições e os múltiplos usos da água
Um dos pontos centrais que o GT irá debater em São Paulo são os impactos das transposições de água já existentes. Atualmente, o sistema de transferência de águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul é fundamental para manter o fornecimento nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. No entanto, o aumento da demanda e a redução da oferta hídrica exigem uma reavaliação dos efeitos desses processos sobre os demais usuários da bacia.
O grupo terá o desafio de equilibrar os usos múltiplos da água no território, reunindo representantes do Poder Público, usuários do sistema e a sociedade civil organizada, com especial atenção aos comitês de bacia. De acordo com Alberto Batista da Silva Filho, coordenador-geral de Gestão de Recursos Hídricos, o objetivo inicial é “analisar e propor encaminhamentos para o enfrentamento de situações de estresse hídrico em bacias de domínio da União”, reforçando a atuação preventiva em São Paulo.
Estrutura técnica e cronograma de ações para 2026
Para garantir a precisão das propostas, o Grupo de Trabalho terá uma estrutura enxuta e técnica:
- Composição: Até dez representantes fixos;
- Suporte Especializado: Participação de instituições convidadas e técnicos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA);
- Relatório Final: Elaboração de um documento técnico que servirá de base para as decisões da Câmara Técnica;
- Prazos: Vigência de um ano, com possibilidade de prorrogação por mais doze meses.
A primeira reunião oficial do GT está prevista para fevereiro de 2026. Espera-se que, a partir deste encontro, sejam traçadas as metas prioritárias para mitigar a escassez em São Paulo e proteger os ecossistemas da Bacia do Rio Paraíba do Sul. A coordenação do CNRH busca, com este movimento, elevar o padrão de segurança hídrica no Sudeste, evitando o desabastecimento em épocas de estiagem prolongada.