São Paulo inova na saúde com musicoterapia e terapia comunitária

Ação promove bem-estar físico e mental através de práticas integrativas

Crédito: Acervo SMS

A rede municipal de saúde de São Paulo tem se destacado pela implementação de terapias inovadoras, como a musicoterapia e a terapia comunitária integrativa, que visam promover o bem-estar físico, mental e social dos pacientes.

Nos últimos anos, a conscientização sobre a importância da saúde preventiva e integral tem se fortalecido no Sistema Único de Saúde (SUS) da capital paulista. Esse movimento é corroborado pelo crescente interesse da população em Práticas Integrativas e Complementares (Pics), que estão sendo cada vez mais adotadas nas unidades de saúde do município.

A medicina integrativa, uma abordagem que considera as múltiplas dimensões do ser humano — biológica, mental, social e espiritual — para o cuidado em saúde, tem ganhado relevância. Essa filosofia prioriza uma relação colaborativa entre paciente e profissional de saúde, onde o foco está na totalidade do indivíduo, em vez de simplesmente tratar doenças isoladas. O objetivo é identificar diversos fatores que influenciam a saúde, como aspectos fisiológicos, psicológicos, nutricionais e sociais.

Adalberto Kiochi Aguemi, coordenador da Área Técnica de Saúde Integrativa, enfatiza que as práticas integrativas também têm um impacto significativo na saúde mental. “A saúde mental está intrinsecamente ligada à maneira como o indivíduo enfrenta os desafios cotidianos e estabelece conexões afetivas”, observa. Ele ressalta que as Pics são oferecidas por equipes multidisciplinares, envolvendo médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas.

A data comemorativa do Dia Mundial da Medicina Integrativa, celebrado em 23 de janeiro, sublinha a relevância das medicinas tradicionais dentro das abordagens terapêuticas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é definida como “um estado completo de bem-estar físico, mental e social”, indo além da mera ausência de doenças.

Entre as novas iniciativas de Pics implementadas em São Paulo está a musicoterapia, reconhecida oficialmente como profissão no Brasil por meio da lei nº 14.842/2024. Este método terapêutico foi introduzido na rede municipal com o intuito de melhorar a qualidade de vida e promover a aprendizagem dos usuários.

O musicoterapeuta Marcel de Lima Marigo destaca a natureza terapêutica da música: “A experiência musical não se limita apenas ao ato de tocar; ela envolve um processo terapêutico estruturado com diagnósticos específicos e técnicas adequadas ao tratamento”. No Centro de Convivência e Cooperativa (Cecco) Trote, onde trabalha, ele tem observado resultados positivos em pacientes diagnosticados com transtornos como o autismo e a esquizofrenia.

Marcel explica que suas intervenções são personalizadas: “Trabalhamos com recriações musicais ou composições originais conforme as necessidades individuais dos pacientes”. Seu trabalho em grupo no Cecco promove um ambiente acolhedor que favorece histórias inspiradoras de superação.

Carlos da Aruanda Garcia, um dos pacientes atendidos, passou por uma transformação significativa após iniciar a musicoterapia. Diagnosticado com TEA e esquizofrenia, ele chegou ao Cecco em um estado depressivo profundo. Sua irmã Rosana compartilha que o progresso dele tem sido emocionante: “Ele não se comunicava antes; agora quer vir aqui e até se apresenta em público”.

A acessibilidade aos serviços do Cecco é facilitada pela sua estrutura de ‘porta aberta’, permitindo que qualquer pessoa busque atendimento sem necessidade de encaminhamento prévio. Ione Célia de Carvalho Gama, gestora do Cecco Trote, destaca que cerca de 1.100 atendimentos são realizados mensalmente na unidade, com uma predominância (60%) entre a população idosa.

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI), uma abordagem 100% brasileira também adotada pela rede municipal desde 2022, tem atraído muitos interessados enfrentando sofrimento psíquico. Estruturada por meio de grupos abertos que se reúnem semanalmente para rodas de conversa, a TCI permite que todos os participantes compartilhem suas vivências em um espaço seguro.

O papel do mediador na TCI é crucial; ele atua como facilitador para garantir um ambiente igualitário onde cada voz é ouvida. A dinâmica horizontal entre os participantes fortalece laços sociais e promove uma corresponsabilidade pelo processo terapêutico coletivo.

São Paulo é reconhecida como pioneira na implementação das Pics na saúde pública desde 2001. Atualmente, todas as 479 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) oferecem essas práticas, além dos seis Centros de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CRPICS), 23 Centros de Convivência e Cooperativa (Ceccos), sete Unidades de Referência à Saúde do Idoso (Ursis), 50 Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e três hospitais municipais.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/01/2025
  • Fonte: FERVER