São Paulo domina ranking de saneamento básico no Brasil
Estado concentra a maior parte dos municípios rumo à universalização segundo dados da ABES 2025.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Secult PMSCS
O mais recente Ranking ABES da Universalização do Saneamento 2025 trouxe dados reveladores sobre a infraestrutura brasileira. O levantamento aponta que, dos 2.483 municípios com informações completas analisadas, apenas 63 (ou 2,54%) atingiram a categoria máxima classificada como “Rumo à universalização”. Neste cenário desafiador, o estado de São Paulo assume um protagonismo incontestável.
A unidade federativa reúne a vasta maioria das cidades brasileiras mais próximas de universalizar os serviços, dominando as listas tanto entre os grandes centros urbanos quanto entre os municípios de pequeno e médio porte.
O estudo utiliza como base cinco indicadores do SINISA (ano-base 2023): abastecimento de água, coleta de esgoto, tratamento de esgoto, coleta de resíduos e disposição final adequada. Apenas locais que forneceram todos os dados foram considerados, permitindo uma avaliação precisa da trajetória nacional.
São Paulo na liderança em cidades de grande porte
Ao analisar as cidades com mais de 100 mil habitantes, o domínio regional fica evidente. O ranking identificou apenas 20 municípios em todo o país na faixa de excelência máxima. Deste total, 14 estão localizados em São Paulo, demonstrando que o estado concentra os melhores desempenhos em larga escala.
O destaque nacional é Presidente Prudente, que lidera o grupo. Confira abaixo o “Top 10” do Brasil para cidades de grande porte, com suas respectivas pontuações, onde a presença paulista é majoritária:
- Presidente Prudente (SP) – 500,00
- Santa Bárbara d’Oeste (SP) – 498,01
- Curitiba (PR) – 496,15
- Catanduva (SP) – 495,67
- Niterói (RJ) – 495,60
- Piracicaba (SP) – 495,48
- Assis (SP) – 495,07
- Pinhais (PR) – 494,81
- Araçatuba (SP) – 494,72
- Rio Claro (SP) – 494,37
Outras cidades do estado de São Paulo que também figuram na categoria máxima incluem Limeira, Sorocaba, São Carlos, Barretos, Franca, Hortolândia e Araras.
Hegemonia em municípios menores
A disparidade torna-se ainda maior quando observamos o recorte de municípios de pequeno e médio porte (até 100 mil habitantes). Em todo o território nacional, apenas 43 cidades alcançaram o nível “Rumo à universalização”.
Deste montante, 42 municípios são do estado de São Paulo. Houve apenas uma única exceção fora do estado, localizada em Minas Gerais (Oliveira). O “Top 10” desta categoria é inteiramente composto por cidades paulistas:
- Leme – 500,00
- Paranapuã – 500,00
- Jales – 499,80
- Gastão Vidigal – 499,08
- Embaúba – 499,02
- Santópolis do Aguapeí – 499,01
- São Joaquim da Barra – 498,21
- Cardoso – 497,70
- Alvinlândia – 496,74
- Guariba – 496,66
Desempenho da capital paulista
Entre as capitais brasileiras, a cidade de São Paulo ocupa a 3ª posição, somando 469,77 pontos. Esta pontuação coloca a metrópole na categoria “Compromisso com a universalização”, faixa destinada a notas entre 450,00 e 489,00.
A análise detalhada dos indicadores da capital revela excelência em abastecimento de água, coleta de esgoto e gestão de resíduos sólidos. O fator que mais impactou a nota final para baixo foi o tratamento de esgoto, com um indicador de 72,64 (referente ao esgoto tratado sobre a água consumida).
Relação direta entre saneamento e saúde pública
O Ranking ABES 2025 reforça a correlação vital entre infraestrutura e saúde. O estudo cruzou dados de saneamento com as taxas de internação por doenças de transmissão feco-oral (DRSAI), utilizando informações do DATASUS.
Os números mostram que onde o saneamento avança, as internações caem drasticamente:
- Cidades grandes: A taxa média de internações cai de 46,78 (categoria “Primeiros passos”) para 14,16 por 100 mil habitantes na categoria “Rumo à universalização”.
- Cidades menores: A diferença é ainda mais brutal, caindo de 166,62 para 57,01 por 100 mil habitantes nas cidades mais bem classificadas.
Além disso, o planejamento mostra-se essencial. Em 2023, 84,13% dos municípios na faixa de melhor desempenho possuíam Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), contra apenas 55,19% naqueles classificados nas faixas iniciais.