São Caetano formaliza o PEI
Com a presença do Secretário do Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o prefeito Tite Campanella, de São Caetano do Sul, formalizou o PEI (Polo de Empregabilidade Inclusiva)
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 11/06/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
O prefeito de São Caetano do Sul, Tite Campanella, com a presença da vice-prefeita, Regina Maura, do secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, e do deputado federal Fernando Marangoni, e outras autoridades, assinou e formalizou, nesta terça-feira (10), no Auditório dos Tijolos, no Palácio da Cerâmica, a implantação do PEI (Polo de Empregabilidade Inclusiva), parte do programa estadual Meu Emprego Inclusivo, que visa promover inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

O chefe do Executivo destacou a relevância do equipamento e que servirá para encurtar o caminho entre as partes, empregado e empregador.

“Uma parceria extremamente importante, que tem algumas características que a gente considera também que são verdadeiros diferenciais na implantação desse programa. Talvez o principal deles seja a busca ativa. Nem as empresas estão preparadas para receber esse funcionário e nem esses funcionários sabem também aonde eles vão buscar esses empregos. E a busca ativa que o PEI realiza faz com que tudo isso se conjugue de uma forma muito mais fácil, muito mais tranquila, muito mais confortável para essas partes que estão envolvidas nesse processo. Acho que isso é uma questão imprescindível quando a gente busca dar mais conforto, dar mais dignidade e dar uma capacitação melhor para todos que buscam esse tipo de ocupação. São Caetano do Sul tem uma tradição já há muitos anos na luta pela inclusão”, expôs Tite sua visão.
Marcos da Costa lembrou da lei estabelecida em São Paulo que segue os moldes de outros países e que a assiduidade e dedicação do PcD (Pessoa com Deficiência) é o diferencial.

“A importância do Legislativo de São Paulo, a Assembleia Legislativa é extremamente qualificada, em 2023 aprovou uma legislação que foi sancionada pelo governo do Tarcísio do emprego apoiado, que é uma política que é desenvolvida na Europa, nos Estados Unidos, que é você não só encaminhar, mas você caminha junto. Então há todo um acompanhamento depois do emprego feito, durante o período nós acompanhamos o profissional contratado e o profissional que entra no mercado de trabalho, consegue locação em uma empresa, o índice de rotatividade é quase nulo, quem entra não sai, são profissionais muito dedicados, vestem a camisa, são qualificados, e surpreendem muitas vezes com o nível de conhecimento e profissionalismo que ele tem, e dedicação que ele tem. Esse é o programa que nós estaremos assinando hoje com o prefeito, trazendo esse programa para cá, fortalecendo as ações de inclusão na área do emprego”, disse o Secretário.
Marcos informou, também, que junto a esse projeto há todo o trabalho junto ao empreendedorismo.
Tite disse que ainda há muita coisa a ser feita e projetou a inauguração do PEI.

“Estamos lançando agora, a gente está concluindo agora no final de julho e já no aniversário da nossa cidade, o lançamento e a inauguração do nosso complexo da pessoa com deficiência e a gente espera também trabalhar dentro da cidade de São Caetano do Sul com novas tecnologias, novas formas de pensar inclusão e de realizar plenamente a capacitação de todo esse público que a gente tem aqui na nossa cidade”, propôs o prefeito.
O liberal também recordou o trabalho realizado pela Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e que deve ser levado para o Estado.

“Sobre a equoterapia, um trabalho que a Apae de São Caetano do Sul faz tão bem aqui já na nossa cidade há muitos anos e que o governo do Estado agora esteve lá conhecendo. O Marcos da Costa esteve lá conhecendo o trabalho que a Apae realiza e quer replicar em todo o Estado. E a gente vai tentar fazer aqui também a ampliação desse programa”, projeta o chefe do Executivo, mas fez ressalva de quando será expandido, devido à falta de verba:
“Não esse ano, porque esse ano aqui eu não tenho condição nenhuma de fazer nada, mas a partir do ano que vem, se Deus quiser, a gente vai fazer coisas grandiosas pela inclusão da população de São Caetano do Sul”, sugere Tite.
Quanto às barreiras para a inclusão desse público no mercado de trabalho, o prefeito disse que o Secretário Pio Mielo já está se movimentando.

“O Pio assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e tem feito esse trabalho com o empresariado da cidade, tanto no comércio, como prestação de serviços, quanto na indústria, e vai fazer isso. A gente começa a reparar que essa é uma barreira que já vem caindo aos poucos. A gente frequenta o shopping, as lojas, os corredores comerciais da Santa Catarina e da Visconde. E a gente vai incentivar cada vez mais isso. Fazer com que São Caetano seja esse Polo de atração, que já é na parte educacional, para esses jovens, essas crianças com algum transtorno do espectro autista”, comentou o chefe do Executivo.
O deputado federal Fernando Marangoni destacou a necessidade de mudança de comportamento em virtude do contexto do mundo contemporâneo.

“Hoje, a gente tem que ter um olhar completamente diferente, uma conscientização da população como um todo com relação às pessoas com deficiência. A gente tem uma atuação muito firme na Câmara com relação ao espectro autista. A gente tem trabalhado muito nesse tema. Inclusive, eu pedi para o presidente Hugo Motta, fiz um requerimento para instauração de uma comissão especial. E eu digo que quando a gente fala de legislação da pessoa com deficiência, das famílias atípicas, das pessoas que estão no espectro, qualquer outra neurodiversidade, a gente tem que tomar muito cuidado ao legislar. A gente não pode tratar de uma forma padronizada as deficiências, sejam elas de que natureza for. A gente tem cometido alguns equívocos, eu tenho alertado isso na Câmara. Em especial com relação às pessoas diagnosticadas no transtorno do espectro autista, a gente está já vivendo um colapso com relação a essa política. E eu preciso deixar esse alerta aqui para vocês. O volume de diagnóstico tem crescido muito. Nós estamos com 1 para ter 31 até as crianças de 8 anos, o último estudo agora do centro de controle dos Estados Unidos alerta para onde nós estamos caminhando. Nós não estamos fazendo as intervenções necessárias, não estamos fazendo a inclusão necessária. E principalmente as pessoas que estão no espectro autista tem que ter um acompanhamento individualizado, multidisciplinar, constante e é caro para o serviço público. Então a gente precisa ter uma política nacional de neurodiversidade e buscar toda a legislação, são mais de 70 projetos de lei tramitando na Casa”, ressaltou o deputado, que ponderou ao comentar um erro:

“Nós alteramos a inclusão para obrigar as escolas a aceitarem a matrícula de quem está no transtorno do espectro autista. Só que a gente não se atentou para alguns detalhes. Quando a gente fala do nível suporte 3, por exemplo, com a comorbidade de deficiência intelectual, muitas vezes, ele não poderia estar na escola porque não está aprendendo, e pelo contrário, ele está regredindo pelo que ele passa no dia a dia. Então, às vezes, a gente querendo acertar, acaba errando. E essa legislação, em especial da pessoa com deficiência, é fundamental que seja olhada ponto a ponto e que não seja feita em retalhos”, reconhece Marangoni.