São Caetano fortalece o combate ao racismo nas escolas
São Caetano capacita mais de 1.200 servidores em políticas de equidade e no combate ao racismo nas escolas, seguindo leis federais
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 25/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
A Prefeitura de São Caetano do Sul, através da Secretaria de Educação, consolidou em 2025 um avanço crucial na luta por uma cultura escolar mais inclusiva e equitativa. Ao longo do ano, a administração municipal intensificou o programa de formação continuada para profissionais de toda a rede, focando diretamente nas estratégias de combate ao racismo nas escolas e na valorização das identidades negras e indígenas. Esta iniciativa é desenvolvida de forma estratégica pelo eixo Educação Afro-Brasileira e Indígena, uma área essencial do NAEI (Núcleo de Apoio à Educação Inclusiva).
O impulso para essa política pública veio do CECAPE (Centro de Capacitação dos Profissionais da Educação) Dra Zilda Arns, que expandiu de maneira significativa a oferta de encontros, cursos e ações formativas. O objetivo central é garantir que todos os servidores, desde o corpo gestor até os agentes de apoio, estejam devidamente preparados para promover um ambiente de respeito, equidade e, sobretudo, que ofereçam o suporte necessário para o combate ao racismo nas escolas da cidade.
Da gestão ao apoio: Preparação abrangente para o corpo escolar

A política municipal de educação inclusiva e antirracista está fundamentada nas Leis Federais nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. As formações em São Caetano do Sul visam transcender a mera obrigatoriedade legal, buscando a transformação efetiva das práticas pedagógicas no cotidiano.
Orientação para 68 unidades e inclusão no PPP
No primeiro semestre de 2025, o eixo de Educação Afro-Brasileira e Indígena do NAEI focou na capacitação das equipes gestoras das 68 unidades escolares da cidade. Diretores, assistentes de direção e coordenadores pedagógicos da Educação Infantil ao Ensino Médio participaram de encontros detalhados. O principal objetivo foi orientar a correta incorporação das relações étnico-raciais nos PPPs (Projetos Político-Pedagógicos), nos planejamentos anuais e em todas as atividades diárias, garantindo que a educação antirracista seja um princípio fundamental e não apenas uma atividade pontual.
Mais de 1.200 profissionais capacitados no enfrentamento ao racismo recreativo

Um dos pilares do programa de formação é a capacitação do quadro de apoio, que desempenha um papel fundamental na interação diária com os alunos. O município capacitou mais de 1.200 profissionais de apoio, incluindo cuidadores, auxiliares da primeira infância e equipes vinculadas à educação especial.
Estes profissionais foram treinados em áreas cruciais como o letramento racial, a identificação imediata de práticas racistas e o enfrentamento do chamado “racismo recreativo“ — atitudes e falas veladas que, sob a aparência de “brincadeira“, ferem e discriminam. O foco é desenvolver estratégias colaborativas que reforcem a participação ativa e o aprendizado de todos os estudantes, criando um ambiente escolar onde o combate ao racismo nas escolas se torna uma responsabilidade coletiva.
CECAPE potencializa o saber: Cursos e certificações antirracistas

O papel do CECAPE foi determinante para estruturar a ampla gama de conhecimentos oferecidos. O Centro de Capacitação organizou uma vasta programação, que incluiu cursos presenciais, oficinas, jornadas formativas e trilhas de aprendizagem disponíveis on-line. Essa diversidade de formatos permite que os educadores aprofundem seus conhecimentos e transformem suas práticas em um ritmo contínuo.
Os temas abordados são abrangentes e essenciais para o combate ao racismo nas escolas moderno, como:
- Educação das relações étnico-raciais e Letramento racial.
- Enfrentamento ao racismo institucional.
- História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
- Práticas pedagógicas antirracistas em sala de aula.
- Uso de materiais didáticos que representem a diversidade brasileira.
- Protocolos claros e encaminhamentos em situações de discriminação e injúria.
- Cultura de paz e convivência escolar.
Os cursos ofertados garantem certificação, o que é um fator de incentivo importante, pois permite a evolução na carreira dos educadores da rede. O crescente engajamento dos profissionais demonstra a busca por ampliar o repertório e promover transformações concretas no chão da escola.
A coordenadora do NAEI, Patrícia David, enfatiza a relevância do programa: “A formação continuada é o alicerce para transformar a cultura escolar. Temos incentivado o acolhimento desse movimento dentro da nossa rede, envolvendo gestores, professores e equipes de apoio, fomentando que eles busquem ampliar repertório, revisar práticas e construir uma educação que garanta pertencimento e equidade para todos”. A iniciativa de São Caetano do Sul se consolida, assim, como um modelo de política pública que materializa o combate ao racismo nas escolas em ações concretas e de longo prazo.